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Darcy Ribeiro e o povo brasileiro

Por:  Daniel Arruda Coronel¹ e José Maria Alves da Silva²*

No dia 17 de fevereiro de 2012, completam-se quinze anos desde o falecimento do professor, antropólogo e político Darcy Ribeiro, um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX.

Suas realizações como Ministro da Educação e da Casa Civil do Governo João Goulart, vice-governador do Rio de Janeiro (RJ) na primeira gestão de Leonel Brizola e senador pelo Rio de Janeiro, com certeza serão lembradas por muito tempo. Entre elas estão a idealização da Universidade Federal de Brasília, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, e dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs).

No Governo Goulart, estava entre os mentores das reformas de base, que foi como ficou conhecido um projeto sócio-econômico de longo alcance, que, sem dúvida, foi um dos fatores que precipitaram o golpe militar de 1964. Como senador, foi um dos criadores da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que, embora apresente falhas, foi uma iniciativa importante em prol da educação no Brasil.

Nos últimos anos de sua vida, lançou vasta obra literária que se inclui entre as leituras obrigatórias para o entendimento das raízes culturais do processo civilizatório brasileiro, juntamente com as de outros nomes consagrados na ciência social nacional, como Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes.

Infelizmente, vários de seus sonhos e ideais não foram realizados, mas pelo que sempre demonstrou, se hoje estivesse vivo, certamente não estaria conformado com isso, e sim ativamente envolvido com novas questões. Provavelmente estaria combatendo a atual onda produtivista que as agências federais, ditas de fomento à educação e à ciência, estão impondo às universidades; estaria denunciando a falta de sintonia entre o meio acadêmico e a problemática nacional, e a falta de compromisso da classe política com as condições de vida do povo brasileiro. Mesmo sem êxito, não esmoreceria, pois, como ele mesmo disse um dia: "Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".

(Publicado em A Razão de 12.02.2012)

* ¹UFSM ²UFV



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