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8 de março e o mercado de trabalho

Por:  Maria Celeste Landerdahl*

O processo de reestruturação produtiva no mundo vem provocando, há mais de 30 anos, o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. Conforme o IBGE, o número de mulheres economicamente ativas, no Brasil, passou de 2.5 milhões, em 1950, para 43.9 milhões em 2007, um crescimento de 17.2 vezes.

Embora estes dados evidenciem uma resposta ao crescente nível de escolaridade feminina, colocando muitas mulheres em posições de prestígio e em categorias tradicionalmente ocupadas por homens, não se pode negar um movimento, no qual as mulheres pobres e de baixa escolaridade inserem-se em espaços de trabalho remunerado. Isto é muito positivo, uma vez que pode contribuir na superação da ideia de que algumas características femininas tornam as mulheres menos capazes para o exercício de determinadas tarefas. Exemplo disto é o fenômeno que tem introduzido mulheres na construção civil.

A despeito destas conquistas, alguns obstáculos persistem em relação à inclusão e permanência das mulheres no mercado de trabalho em condições de igualdade com os homens. Pesquisas apontam 3 tipos de discriminação que ocorrem no Brasil: a salarial, no qual as mulheres recebem salários menores que os homens, mesmo exercendo as mesmas funções; a prática de seleção e demissão que discrimina as casadas; e, a pouca possibilidade de acesso a postos administrativos.

Esta desigualdade, na visão de organismos internacionais como a ONU, reduz as possibilidades de desenvolvimento de um país. A ONU defende que mulheres com maiores níveis de educação e participação no mercado de trabalho, em geral, contribuem para a redução da pobreza e produtividade de suas famílias e localidades, criando melhores perspectivas às novas gerações.

Algumas iniciativas do Governo Federal nesta área buscam reafirmar os compromissos de promover igualdade entre homens e mulheres como o Programa Pró-Equidade de Gênero, visando sensibilizar empresas e instituições sobre a importância de superar as desigualdades nas organizações, bem como investir na promoção de oportunidades iguais entre colaboradores de ambos os sexos. Eliminar formas de discriminação no acesso, remuneração, ascensão e permanência no trabalho feminino remunerado deve ser uma busca, portanto, de toda a sociedade. Nesta direção, o 08 de março deve provocar reflexões e reais transformações acerca da inserção das mulheres nos diversos setores sociais.

(* Assinam esse artigo também: Leticia Becker Vieira e Laura Ferreira Cortes, todas integrante do NEMGeP- Núcleo de Estudos de Mulheres, Gêneros e Políticas Públicas da UFSM)

(Artigo publicado em A Razão de 8 de março de 2012)

* UFSM



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