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Erros políticos

Por:  Nilton Bertoldo*

Aproximam-se as eleições municipais e o povo terá a oportunidade de eleger os seus representantes. Em nossa cidade, para o Poder Legislativo municipal serão vinte e um, resultado de uma infeliz ideia de um determinado político, que através de Emenda Constitucional, aumentou em mais de sete mil o número de vereadores em todo o país, configurando o primeiro grande erro.

O segundo equívoco refere-se a esse malfadado subsídio de vereador estar vinculado ao dos deputados. É só comparar o que eles ganham com aquele de profissionais de outras áreas, vê-se estarem completamente fora da realidade brasileira! Observem os últimos editais de concursos para a Universidade e Prefeitura Municipal e verão a disparidade gritante.

Mas, hecha la ley, hecha la trampa, vamos escolhê-los com critérios mínimos para evitar, na sua evolução, a ascensão para voos mais altos, como para as Assembleias Legislativas e para o Congresso Nacional.

Quem não lembra de Severino Cavalcanti, figura patética e nepotista inveterado, um pernambucano apaniguado eleito para a presidência da Câmara dos Deputados? Arauto de perdão a políticos ladrões, entre os quais ele se encontrava em mínimas quantias, proporcionais à sua insignificância que contrastava com a monumental mediocridade – ele recebia propinas de restaurante!

Esse tipo de procedimento de político deveria já ter sido banido por nós, o povo, há muito tempo, e valeu do deputado federal Fernando Gabeira, a seguinte manifestação. “Vossa Excelência na Presidência da Câmara dos Deputados é uma vergonha para o Brasil”. Para aqueles que não viveram 1964, Fernando Gabeira participou do sequestro do embaixador norte- americano e cometeu um erro imperdoável trocando-o pelo senhor José Dirceu!

O Brasil está repleto de altos e baixos. Os baixos estão nas eleições de muitos Severinos (atenção, eleitores) para o Congresso Nacional, onde habita uma leva de congressistas incompetentes e preguiçosos preocupados apenas com infinitas reeleições. Mais nada. Contudo, isso é fácil de acabar. Basta o povo unido exigir a aprovação de uma emenda popular, terminando com a reeleição em todos os níveis, como já acontece no México.

Em 2005, os legisladores do Congresso Nacional aprovaram apenas 75 projetos, a maioria sobre nome de ruas, monumentos, ou como aquele que inclui o almirante Barroso no Livro dos Heróis da Pátria.

Porém, como o Brasil é um país de surpresas, foi sob a presidência de um Severino Cavalcanti que a Câmara dos Deputados chegou ao século XXI e aprovou experiência científica com células embrionárias, contrariando os sobreviventes da Idade da Pedra. E os altos creditem-se aos hospitais Universitários e outras instituições sérias, onde abnegados profissionais da saúde estão trabalhando com células-tronco.

(Publicado em A Razão de 02.05.2012)

* UFSM



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