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Os sucessores de Silvério dos Reis

Por:  Daniel Arruda Coronel¹ e José Maria Alves da Silva²*

O feriado de 21 de abril é uma data cívica, em honra do grande mártir da Pátria, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder de um movimento libertário do Brasil contra a dominação portuguesa. O estopim da insurreição foi a extorsão tributária que a Coroa impunha ao Brasil colônia.

O movimento liderado por Tiradentes e intelectuais insurgentes, como Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manual da Costa, foi uma ostensiva manifestação do anseio pela independência do Brasil. Entre seus principais objetivos estavam a proclamação de uma república com capital em São João Del Rei; a criação da primeira universidade brasileira em Vila Rica e a adoção de uma bandeira com o lema Libertas quae sera tamem (Liberdade ainda que tardia).

Segundo consta da história mais ensinada nos bancos escolares, o movimento foi aniquilado por causa da traição de Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas pela Coroa e do título honorifico de Fidalgo da Casa Real. Mas o episódio serviu para acirrar os ânimos dos patriotas e a independência acabou sendo alcançada algum tempo depois.

No entanto, Brasil deixou de ser oficialmente uma colônia de Portugal, mas se manteve em situação de dependência econômica, a mercê dos interesses de nações hegemônicas; primeiro a Inglaterra, até meados do século XX, e depois os EUA. Para esse “novo colonialismo” contribuíram e continuam contribuindo muitos que aqui nasceram, mas fizeram escolha semelhante à de Joaquim Silvério dos Reis: traíram o povo brasileiro em troca de privilégios pessoais.

Quem são eles? São políticos entreguistas infiltrados no Congresso Nacional e nas cúpulas governamentais; são tecnólogos travestidos de cientistas, a soldo do capital estrangeiro; são intelectuais deslumbrados com a cultura estrangeira, portadores do Complexo de Vira-Latas descoberto por Nelson Rodrigues; e, enfim, outros mancomunados com interesses alienígenas, camuflados sob os mais variados disfarces, que participam do poder, mas trabalham contra a construção de um projeto estratégico para o Brasil, tendo em vista o progresso econômico, a equidade social e a soberania nacional.

(Publicado em A Razão de 18.05.2012)

* ¹UFSM ²UFV



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