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Os riscos da atual crise política

Por:  Fritz Nunes*

A atual crise que assola o mundo político brasileiro, a cada dia que passa, parece tomar contornos de maior gravidade. Até agora, por tudo que já se publicou na imprensa, por tudo que foi dito na Comissão Parlamentar de Inquérito, o que tem sobrado são acusações que esparramam “sujeira” para tudo quanto é lado, sem comprovações até o momento, mas que deixam muitas pessoas sob suspeita.

Já se viu na história do país crises políticas de grande intensidade, tais como a CPI do Collor, envolvendo PC Farias, o que acabou no encurtamento do mandato de Fernando Collor mediante um processo de responsabilização política. Num momento posterior, uma nova crise política, já no governo de Itamar Franco. A motivação do escândalo e de uma CPI foram irregularidades no orçamento perpetradas por parlamentares. Em ambas as crises, a solução acabou sendo dada pelos trâmites normais de um sistema democrático. A crise atual, mesmo que neste momento ainda não represente um fator de risco às Instituições, tem caráter diferenciado. Desta vez, não é apenas o parlamento investigando o governo, pois as denúncias atingem o governo e também de forma grave o parlamento, que se auto-investigará.

A sucessão dessas denúncias, ainda sem uma comprovação, está abalando não apenas a credibilidade do governo, mas também do parlamento. É neste ponto que viceja o estopim para crises institucionais. Mesmo que não se diga isso abertamente, há uma preocupação dos políticos ditos “responsáveis” para que esta crise não ultrapasse os limites do razoável. Na última quinta, líderes do governo Lula e do PSDB falaram em adiar o início da CPI dos Bingos e também a das privatizações. Isso tudo porque há um grande número de Comissões em funcionamento, o que, além de tornar o trabalho dos parlamentares pouco eficiente, pode inviabilizar o funcionamento do Congresso para votar outros projetos, criando um caldo de permanente crise a partir do momento em que a investigação comece atingir governos anteriores.

Pode até parecer que está se tentando um acordão, mas isso certamente a opinião pública não irá permitir. No entanto, como diz aquele chavão, juízo e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O que se deve fazer é investigar de forma clara, sem açodamento. Várias Comissões ao mesmo tempo podem gerar uma confusão, com acusações a torto e a direito, sem que isso signifique apuração dos fatos, mas criando sim um clima de caça às bruxas e de balbúrdia geral, o que costuma ser muito propício para a proliferação de visões autoritárias.

* SEDUFSM



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