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A legitimidade da greve nas universidades

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Na última quinta, 17 de maio, os professores de pelo menos 33 Instituições Federais de Ensino Superior deflagraram greve. Nos próximos dias, outras tantas devem seguir o mesmo caminho, inclusive os docentes da UFSM que não entram em greve desde 2005. Nestes últimos sete anos o movimento docente sofreu muito na mão de um governo que inicialmente enchia o peito para dizer que era comandado por um ex-metalúrgico e agora por uma ex-guerilheira.

A verdade é que não podemos julgar ninguém unicamente pelo seu passado por mais honroso que seja, mas principalmente pelo seu presente. E o que temos visto é o governo federal sendo eficiente na divisão do movimento docente, seja através de seu braço sindical entre os professores, o Proifes, seja através da mudança de discurso de vários professores que antes se posicionavam como linha de frente no embate com os sucessivos governos, mas hoje por apoio irrestrito ao governo petista se calam, ou acham que não é o momento adequado, outros até reconhecem a greve como um instrumento legítimo, mas somente para os demais trabalhadores, não para os professores federais.

É importante que se diga que tudo o que foi conquistado até hoje, sendo que alguns consideram até mesmo os salários dos docentes próximos ao topo da carreira muito satisfatório, foi conseguido em meio à luta. E não esqueçamos, de muitas greves. A verdade é que o governo federal fez uma expansão das universidades federais muito mais pensando na publicização dos números do que criando condições, basta ver a matéria publicada na revista da SEDUFSM, “D Palavra” (dezembro de 2011), rica em fotos, mostrando que no Brasil toda a situação se repete. Se em algumas universidades, as condições de trabalho em alguns departamentos é bem confortável, na Unipampa, por exemplo, é sofrível.

Quanto à questão salarial, os docentes e os demais servidores federais vêm a cada ano sentindo a redução de gastos com os salários do funcionalismo. Enquanto em 1995 comprometia 56,2% do orçamento da União, em 2011 estava em 29,3%. Para terminar, não há previsão de reposição salarial nem para 2012 (excetuando os míseros 4% acordados o ano passado e que o governo custou tanto a pagar), nem para 2013 e não se sabe o que virá para 2014. Na discussão da carreira docente que deveria ter sido encerrada em 31 de março, o governo empurra com a barriga tentando nos vencer pelo cansaço. A greve é legítima ou não?

(Publicado no Diário de Santa Maria de 21.05.2012)

* UFSM



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