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Universidade: entre a fantasia e a realidade

Por:  Adriano Severo Figueiró*

Temos ouvido de alguns colegas que a condição de trabalho a que estão submetidos os professores da UFSM hoje, está muito longe da precariedade que tem sido denunciada pelo sindicato da categoria. Alegam que tais denúncias são injustificadas frente à realidade por eles vivenciada. Pois bem, basta uma análise rápida sobre as mudanças em nossa condição de trabalho nos últimos anos, para perceber que estes poucos e privilegiados professores talvez vivam a universidade tal como Maria Antonieta vivia a França faminta de fins do século XVIII: “se não há pão, que comam brioches”!

A UFSM, no ano 2000, mantinha uma relação média de, aproximadamente, 8,5 alunos por professor. Esta mesma universidade, em 2012 chega a apresentar, em alguns centros de ensino, como o Centro de Educação, uma relação de 23,7 alunos por professor. Se formos comparar estes dados com universidades do primeiro mundo, como gostam de fazer alguns colegas, podemos ter uma idéia mais precisa de nossa situação (segundo a Times Higher Education): a Universidade de Oxford tem uma relação de 2,35 alunos por professor, com um orçamento quase dez vezes maior por aluno do que aquele que dispomos aqui para financiar nossas aulas e pesquisas; a Universidade de Harvard tem uma relação próxima de 10 para um (com um financiamento quase duzentas vezes maior do que o nosso); poderíamos seguir assim com Cambridge (3,3 para um), Stanford (1,73 para um) e tantas outras que não cabem neste espaço. Mais alunos por professor significa, sem muito esforço de entendimento, muito mais trabalho (mais turmas, mais horas de aula, mais envolvimento em orientações).

Esse não seria um grande problema, se tivesse sido acompanhado por um proporcional crescimento da infraestrutura e das condições de trabalho, pois a ilusão dos prédios sendo construídos com o dinheiro da “expansão” da universidade esconde um dado objetivo: a universidade dispunha, em 2005, de pouco mais de 24m2 de área construída por aluno; em 2009, este número já havia caído para pouco mais de 16 m2/aluno (podendo chegar a menos de cinco no caso do Centro de Educação ou menos de 4m2/aluno no caso do CESNORS- dados do PDI da UFSM).

Isso significa maior disputa por banheiros, por laboratórios, por restaurante e, até mesmo, por salas de aula. Se somarmos a isso questões mais triviais, como a falta de água, telefone ou internet no CESNORS, somos capazes de começar a entender os motivos que nos levam à greve, após sete anos de tentativas de negociação.

(Publicado em A Razão de 30.05.2012)

* UFSM



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