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Previdência complementar: uma grande piada

Por:  Nilton Bertoldo*

Quando Miguel de Unamuno escreveu “Do Sentimento Trágico da Vida” destacando o narcisismo transcendental desglosado em ímpeto agônico e anseio de imortalidade, jamais poderia imaginar que teria dois fiéis seguidores no país de opereta: o pseudo-intelectual e pretenso estadista Fernando II, o FHC, o maior e melhor eleitor de seu sucessor, o metalúrgico Luís Inácio, o Lula, exemplos fidedignos e arautos do neoliberalismo. Lembro que Fernando I foi Collor de Mello, defenestrado pelo Congresso e depois aliado de Lula, Sarney, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, etc.

Pois o primeiro (FHC) tentou a malfadada reforma previdenciária e não conseguiu, sendo obstado, na ocasião, pelo segundo (Lula) e seus prosélitos. Estes últimos, em discursos inflamados naquela época, condenaram qualquer alteração na Previdência, principalmente em relação aos aposentados.

Mas, eleito o metalúrgico, a primeira medida, com o apoio de seus acólitos tansos, foi aprovar a cobrança previdenciária dos aposentados que ganhassem acima do teto pago pela Previdência. A conversa fiada desses papalvos nunca convenceu ninguém, porque logo se viu que esses pacóvios eram iguais ou piores do que aqueles que os antecederam. Os mais altos índices de corrupção da história desta republiqueta deram-se durante os oito anos de mandato de Luís Inácio (e continuam).

A alegação de que a Previdência é deficitária é preleção malsã para enganar os incautos. Senão, vejamos:

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União, divulgada em 2009, levantou suspeitas sobre 3,2 milhões de benefícios. Haveria 2 milhões de benefícios sem que o CPF do beneficiário estivesse cadastrado e 1,2 milhão de benefícios concedidos a pessoas com nome abreviado, o que pode facilitar fraudes. Havia 31.285 casos de mesmo CPF que recebia três ou mais benefícios e 1827 benefícios concedidos a pessoas falecidas. Também havia 3.700 benefícios pagos com valores superiores ao teto legal (este corresponde aos subsídios dos Ministros do Supremo Tribunal Federal).

A Dataprev, empresa de tecnologia que faz o processamento de todos os dados da Previdência e está vinculada ao Ministério da Previdência Social, teve seus computadores invadidos por falsários e lá digitaram informações frias para comprovar pagamentos não efetuados. Apropriação indébita e sonegação são as terríveis sangrias contra os cofres do INSS, com índice nacional acima de 28%. Muitas empresas, entidades filantrópicas e clubes de futebol sonegam bilhões de reais em contribuições previdenciárias devidas.

Como se vê, são minúsculos exemplos de fraudes bilionárias praticadas contra a Previdência, por quadrilhas compostas por políticos corruptos, empresários, servidores públicos, etc. E agora inventam essa tal de Previdência complementar que será mais uma fonte para prováveis roubalheiras.

(Publicado em A Razão de 06.06.2012)

* UFSM



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