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Onde estão eles?

Por:  Nilton Bertoldo*

O processo de elementarização das condições de trabalho vem se intensificando há algum tempo em todo o orbe, mais notadamente em republiquetas de bananas, como o Brasil. Um dos marcadores importantes dessa precarização é a chamada terceirização, através da qual as responsabilidades trabalhistas são transferidas a outrem.

Isto se repetiu principalmente nos trabalhadores da educação e consequentemente nas universidades públicas. Iniciado o processo no governo de Fernando Henrique II, acentuou-se brutalmente a partir de 2002 com a eleição do metalúrgico.

Além da defasagem remuneratória, o congelamento dos salários demonstra a política perversa desse governo em cima dos trabalhadores em educação (professores e técnico- administrativos). Falta de equipamentos, salas lotadas, falta de servidores (técnicos e professores) põem à mostra que o crescimento do corpo discente nas universidades não foi acompanhado pelo aumento da planta física e contratação, via concurso público, de mais profissionais, condições inconcussas e “sine qua non” para o correto desempenho das instituições de ensino.

O Brasil até pouco tempo se encontrava no 130° lugar em educação no mundo. Hoje está em 150° lugar, apesar de toda a titulação dos trabalhadores em educação (aperfeiçoamento, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado). Como se vê, algo está errado, pois ainda não produzimos alta tecnologia, permanecendo como meros exportadores de produtos primários, matérias-primas e manufaturados. Os raros pesquisadores e cientistas de escol aqui não permanecem, sendo levados para outros países, ditos de primeiro mundo, a peso de ouro e sob excelentes condições de trabalho.

Porém, um fenômeno estranho, passível de muita reflexão, tem chamado à atenção. Até 2002, em qualquer movimento paredista, viam-se militantes a rodo, fanáticos, persistentes, agressivos em seus discursos e uma plêiade de bandeirinhas com determinadas siglas nelas inseridas, agitadas, histérica e freneticamente por seus portadores. Além disso, inúmeras faixas onde se liam palavras de ordem, chavões e até calão, completavam esse cenário e com resultados bastante positivos.

A partir de 2002, essa turma foi aos poucos se dissipando, pois muitos de seus integrantes passaram a ocupar cargos estratégicos no governo, alguns regiamente remunerados. Seus objetivos: abortar greves dos trabalhadores e fazer jogo duplo, dizendo uma coisa e fazendo, à socapa, outra. Hoje, eles falam que a greve é inoportuna, que não é o momento, que é necessário pensar bem, etc. Até um deles, com cargo de destaque no governo, outrora apologista e incentivador de movimentos paredistas, afirmou em entrevista, que a greve nas universidades públicas era indevida.

Hoje, em nossas assembleias, não os vemos mais, tampouco suas faixas e bandeirinhas tremulando. Onde estão eles?

(Publicado em A Razão de 19.06.2012)

* UFSM



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