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Tratamento de choque

Por:  Nilton Bertoldo*

Jung, um suíço e discípulo de Freud, enunciou dois sistemas no inconsciente: o pessoal, composto de desejos suprimidos e repressões, e o arquetípico, constituído por tendências herdadas que constituem um inconsciente coletivo. Já Adler, dizia que todas as dificuldades psíquicas originavam-se de um sentimento de inferioridade, derivado de restrições impostas pelo meio ambiente a uma sede individual de poder e auto-afirmação; a expressão “complexo de inferioridade” tornou-se comum.

Uma trilha intermediária entre a introspecção e o behaviorismo foi palmilhada por Mayer durante aqueles anos (Freud, Jung, Adler), que fundamentou sua psiquiatria no que denominou de psicobiologia; esta não realizou nenhuma cisão entre fatores psicológicos e fisiológicos e analisou os fenômenos mentais como integrações ou sublimações pelo lobo frontal do cérebro dos primitivos processos instintivos originários dele. Pontuou também que as pessoas normais e doentes devem ser estudadas diante de seu meio ambiente.

Na segunda metade do século XX, desenvolveu-se a psiquiatria fisiodinâmica, que pretendeu unificar as descobertas bioquímicas e endócrinas com os processos mentais, por exemplo, a diferente secreção e eliminação de serotonina na saúde e na enfermidade mentais. Outras técnicas desenvolvidas em psiquiatria neste período foram: o uso do choque de insulina para tratar psicoses, introduzido por Sakel; a terapia por choque convulsivo, induzida pelo pentilenotetrazol, descoberto por Meduna; a usual terapia de eletrochoque, introduzida pelos italianos Cerletti e Bini; e o controverso método de tratamento de algumas psicoses pela lobotomia pré-frontal, demonstrado pela primeira vez por Moniz.

O cérebro humano pesa, aproximadamente, 1.400g. No gorila, também primata como nós, pesa 400g. Neste, o cérebro possui menor número de circunvoluções, menos sulcos entre elas e com menor profundidade do que nos humanos, o que lhes impede, e muito, o pensamento e o raciocínio lógico.

Pois hoje ,os bajuladores e oficialistas, outrora favoráveis às greves e fora do poder, mudaram milagrosamente de opinião. Atualmente, no poder, são contrários a tudo aquilo que não conste em suas cartilhas e resolveram adotar os trabalhadores da educação como bodes expiatórios de sua incompetência e baixa intelectualidade. Chegaram até eleger duas classes laboriosas – a dos médicos e a dos médicos veterinários – para descarregar seus complexos e recalques, pois aqueles, com o atraso mental que têm (gorilas) jamais ingressariam nesses cursos.

Talvez, muitos deles, se não fosse a política seu meio de subsistência, morariam embaixo de pontes e morreriam de fome; merecem ser encarados com desdém. Se forem portadores de patologias psíquicas, têm-se a possibilidade de tratá-los com aquelas terapêuticas propostas pela psiquiatria do século XX. Que tal?

(Publicado em A Razão de 28.06.2012)

* UFSM



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