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Política atual: ideal ou populista?

Por:  Nilton Bertoldo*

O idealismo é a tendência filosófica que valoriza as ideias e o espírito, em desfavor do mundo material. Embora reconheça a necessidade do mundo espaço-temporal, o idealismo crê que só nas ideias, isto é, apenas no labor abstrato do espírito é que se pode encontrar a verdade e a correção das falhas humanas. Assim, o idealismo que nos vem de Platão é uma filosofia que se inspira na separação rigorosa entre o que é do sensível (coisas) e o que é inteligível (ideias). As obras filosóficas de Platão e Aristóteles foram muito estudadas durante a Idade Média e na passagem para o Renascimento, a influência de Platão manteve-se bastante forte, levando filósofos da época, como Leon Hebreu, a atualizar algumas de suas teorias.

Segundo Silva Ferreira, o idealismo tem elementos em comum com o preconceito, sempre pensando no ideal. Mas na sociedade humana, não deveria existir o ideal, pois todos nós somos diferentes e isso faz a evolução da sociedade ser maior. O ideal, então, é a mistura das diferenças.

Deixando de lado os sentidos ontológico e gnosiológico, ficar-se-ia, no âmbito prático, cujo exemplo mais notório é o da ética kantiana, doutrina que supõe o caráter fundamental dos ideais de conduta como guias da ação humana, a despeito de uma possível ausência de exequibilidade integral ou verificabilidade empírica em tais prescrições morais.

Já o populismo engloba um emaranhado de empirismos políticos que integram o estabelecimento de uma relação direta entre as massas e o líder carismático, cognominado, por alguns de caudilho, sem a intermediação de partidos políticos. Destarte, a plebe, como categoria abstrata, é colocada no centro da ação política, excludente, portanto, dos canais próprios da democracia representativa.

No final do século XIX verificava-se dois exemplos típicos de populismo: o americano, que propunha o incentivo à pequena agricultura através da prática de uma política monetária baseada na expansão da base daquela e do crédito; e o russo, que na mesma época visava transferir o poder político às comunas camponesas através de uma reforma agrária radical, a chamada partilha negra.

No conceito estabelecido por Max Weber, a política populista é melhor caracterizada por um modo de exercício do poder, por meio de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo (eles não querem mais ouvir falar de greves) e dominação carismática, do que por um conteúdo determinado. Então, o traço básico do populismo é o contato entre as massas urbanas e o caudilho, supondo-se que não haja a intermediação de corporações ou partidos políticos, implicando num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, levando a obter votos e prestígio – legitimidade para si via simpatia daquelas. Esse pode ser considerado o mecanismo mais representativo dessa maneira de exercer o poder. Tirem suas próprias conclusões.

(Publicado em A Razão de 25.07.2012)

* UFSM



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