Artigos

O país dos Zés

Por:  Nilton Bertoldo*

Isto é uma peça ficcional. Qualquer semelhança com fatos e pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Num longínquo país de opereta, no ocidente do hemisfério sul, havia um povo que não tinha educação, segurança e saúde. Os seus dirigentes sempre foram muito ruins. Era um país populoso – seus habitantes proliferavam como ratos, pois sequer havia qualquer orientação de planejamento familiar – composto por milhões de analfabetos (25milhões) e analfabetos funcionais (45 milhões); estes sabiam ler mas não sabiam interpretar textos. Mas, eis que surgem de permeio três figuras caricatas nesta republiqueta e que se destacaram de forma inconcussa. Aqui estão, resumidamente, as suas biografias.

O primeiro deles chamava-se Zé Sarnento, o mais antigo e longevo. A alcunha pegou, pois o sujeitinho era tão apegado ao poder que dele nunca saiu. Constituía-se numa verdadeira “sarna”, independente de qualquer ideologia; não desgrudava nunca. Criou raízes, estendendo-as para toda a família e compadres. Falava-se que fazia alianças até com o diabo.

O segundo ficou conhecido como Zé Mexeu. Gostava muito de maracutaias, principalmente aquelas que envolviam propinas graúdas em dinheiro vivo, oriundo de verbas públicas e subornos. Mexia com tudo, daí o apelido. Andou metido em guerrilhas fajutas e deu-se mal. Disseram que teve até que modificar a fachada, submetendo-se a várias cirurgias na época, para não ser reconhecido pelas forças de segurança e assim poder escapulir. Um grande covarde!

O ultimo era o Zé Suíno, assim chamado porque era muito burro, um ignorante, um traste. Nunca conseguiu nada na vida. Inventou de participar duma guerrilha besta, conhecida como guerrilha do Miraguaia. O seu codinome era Feraldo (fedia muito) e era um covardão, pois quando foi pego, entregou todos os seus companheiros com nomes e codinomes. Mas estes não foram encontrados porque fugiram.

Ele tinha um irmão cujo assessor era viciado em transportar nas ceroulas grande quantidade de libras esterlinas, oriundas de trabalho sujo; este último foi pego num porto, mas nada aconteceu: o Zé Suíno, o irmão e o assessor saíram de lombo liso. O primeiro (Zé Suíno) foi até condecorado com a mais alta distinção de um tal de Ministério da Proteção.

Esses três Zés possuíam características comuns. Pertenciam a um governo que não gostava da classe trabalhadora, principalmente daquela vinculada à educação. Apoiavam a perseguição sem tréguas àqueles trabalhadores, pois o governo deles congelava salários, não negociava e ainda ameaçava com o corte de um tal de ponto, quando eles, os trabalhadores da educação, utilizavam-se de um direito legítimo chamado greve.

Felizmente, dizem, que este povo sofrido já chegara no limite do tolerável e do suportável, pois o prazo dos Zés já havia vencido e a batata deles estava assando!

(Publicado em A Razão de 09.08.2012)

* UFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet