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Fiasco olímpico

Por:  Nilton Bertoldo*

Embora o governo e muitos políticos bajuladores façam um grande alarde em torno de uma das maiores economias do mundo (este país tupiniquim), a última olimpíada serviu para atestar que ainda estamos muito longe de sermos alguma coisa em todos os sentidos: saúde, educação, segurança e também no esporte.

Alguns setores da grande mídia, integrada por certos cronistas e comentaristas deslumbrados , também contribuíram para as duas derrotas acachapantes, de permeio a outras, na disputa pela medalha de ouro: no futebol de campo e no vôlei masculino. Aqueles são contumazes em apontar méritos e exacerbar qualidades que muitos jogadores brasileiros não tem.

No primeiro (futebol) já era esperado, pois o Brasil só havia enfrentado adversários fraquíssimos –¬¬ iguais ao técnico brasileiro e a comissão técnica – mantendo sempre o péssimo hábito de convocar os chamados jogadores estrangeiros (brasileiros que jogam em outros países), estes amiúde portadores de lesões mal curadas e fora de forma física. O jogador brasileiro, peladeiro seguidamente oriundo de beira de sangas, tem o mau costume de querer fazer malabarismos para a torcida, o que resultou no primeiro gol da seleção mexicana. Aliás, ele contribuiu para protagonizar o gol mais rápido de toda a história das olimpíadas – menos de 1 min após o início da partida (28 segundos).A outra grande decepção foi o goleiro canarinho, que estaria muito bem disputando a terceira divisão do campeonato brasileiro, mas não na seleção brasileira.

Mas não é a primeira vez que isso acontece. Quem não lembra do excelente passe que Toninho Cerezzo deu para o atacante italiano Paolo Rossi, na partida em que a Itália eliminou o Brasil por 3 a 2? Ou a penalidade máxima perdida por Zico contra a França, que despachou o Brasil?

Quanto ao vôlei masculino, em nosso modesto entendimento, cremos que faltou tranquilidade e preparo físico para enfrentar a seleção russa.

Conclusão: para determinados atletas, cuidado com o excesso de encômios e bajulação, pois muitos deles não têm inteligência suficiente para conviver com a glória e dinheiro farto. Vários saíram de favelas porém a favela não saiu deles. Isto sem falar na estrutura que está por trás de tudo isso: comissões técnicas, dirigentes, cartolas, vários indicados e escolhidos por critérios políticos, sem qualquer qualificação. E haja dinheiro para pagar a despesa de toda essa gente que gosta de se deleitar com dinheiro público.

Sugestão: diminua-se substancialmente o número de políticos no Poder Legislativo (Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal) e extinga-se a maioria dos cargos de confiança. Garantimos que vai sobrar muito dinheiro para investir no esporte.

(Publicado em A Razão de 15.08.2012)

* UFSM



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