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Plano de saúde

Por:  Nilton Bertoldo*

Não bastasse o excesso de benesses que muitos políticos se autoconcedem, descobriu-se mais uma que consideramos uma afronta ao povo brasileiro. Um acinte, uma provocação, um desaforo.

Sabemos que a saúde da população está entregue às traças, embora possamos destacar esforços pontuais em algumas áreas de certas regiões do país. Já no Senado Federal a coisa é diferente. Conforme foi publicado no Espaço do Leitor em 16 de agosto, o Ministério Público Federal no Distrito Federal ajuizou ação civil pública contra o plano de assistência médica de senadores e cônjuges, etc...Vejamos, resumidamente, os porquês.

Em 26 de abril de 2009, o jornal 'O Estado de São Paulo' já havia denunciado esse descalabro e ao que parece ninguém fez nada na ocasião. Ficou conhecido, na época, como o melhor plano de saúde do mundo, um plano vitalício, abrangente e extensivo a familiares. Basta passar seis meses como senador, para ter garantido, sem nada mais pagar, um plano de saúde vitalício “ad eternum”, tudo isso pago com o nosso dinheiro, com o seu dinheiro, senhor contribuinte.

Uma verdadeira sangria dos cofres públicos, num privilégio nauseabundo, ousado, cretino, revoltante, que o resto do povo brasileiro não tem. A cobertura do plano para eles é total desde o início, pois não são averiguadas doenças pré-existentes, não há carência , não existe limites de idade e nenhum custo, para o resto da vida...Mas parece que melhorou...(de dois bodes na sala, tira-se um e aí fica tudo bem). Antes de 1995, a petulância era ainda maior, pois bastava ficar apenas um dia na suplência e o senador já adquiria essa sinecura.

Outra aberração: eles, da ativa, e seus familiares não têm limites de despesa com saúde: em 2008, gastaram cerca de R$ 7 milhões – R$ 80 mil por senador. O pagamento das despesas médicas de senadores, ex-senadores e dependentes é regulamentado por um Ato cuja norma institui que a Câmara Alta arque com todas as despesas dos senadores, sem limites. Prevê até o ressarcimento de procedimentos cirúrgicos e clínicos no exterior. Tudo isso tem que ser autorizado pela Mesa Diretora, que raramente nega o pedido de gastos médicos.

A audácia deles vai ainda mais longe, porque essa regalia também é usufruída pelos servidores que ocupam os cargos de diretor-geral e secretário-geral da Mesa. Essa mordomia que foi criada no ano 2000 beneficia hoje o senhor Agaciel Maia, afilhado politico do senhor José Ribamar; aquele deixou o cargo por não ter registrado em seu nome a casa onde mora, avaliada em R$ 5 milhões. Outro agraciado é o senhor Raimundo Carreiro, hoje ministro do Tribunal de Contas da União.

Pois esse é o mesmo Senado que, à desgaira, aprovou a derrear por Emenda Constitucional, a cobrança de 11% de taxa previdenciária dos funcionários públicos já aposentados. Vamos deixar por isso mesmo?

(Publicado em A Razão de 29.08.2012)

* UFSM



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