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Eleições educativas na UFSM

Por:  Diorge Alceno Konrad*

A universidade pública brasileira ainda é elitista em seu acesso e conservadora em seus destinos, aberta a poucos e para minorias privilegiadas, econômica e socialmente. Outras vezes, quando os segmentos sociais desapossados chegam a ela, a lógica perversa da utilização da mesma apenas como um “trampolim” de ascensão social orienta a formação acadêmica.

Dentro dela, entretanto, muitos resistem a estas diretrizes e, através do ensino, da pesquisa e da extensão procuram construí-la, tendo como norte a ciência e a técnica em bases humano-igualitárias e não pela ideologia da “mão invisível do mercado” que teima em afirmar-se concreta para todos.

Na UFSM, em 23 de junho, ocorreu a eleição para a escolha do novo reitor. Legítima porque buscou em sua comunidade a opção administrativa para seus próximos quatro anos. Paritária no voto, atacou o preceito feudal de que a Universidade é da cátedra enquanto que o funcionário é necessário e o aluno é passageiro, nos ensinou que quanto maior for a sua democracia interna, mais elevada será a participação de todos os seus segmentos. Esta também foi uma resposta para os que procuraram desqualificar o processo, ao repetir os fazeres que a população condena na política cotidiana. Apenas para antidemocratas de plantão é possível imaginar que o mais votado não seja o escolhido pelo Ministério da Educação. Assim chegaremos ao dia em que o preferido das urnas será automaticamente o reitor.

Para que isso aconteça, a transparência e a democracia interna também deverão avançar, exemplar para a sociedade que a sustenta. Não pelo clientelismo, pela ética do favor e pelo loteamento privado dos seus espaços, próprios de uma máquina colonial que teima em persistir. Isto só poderá se consolidar com uma universidade pública, gratuita e de qualidade, mas financiada pelos recursos do Estado, como propulsora de um projeto nacional e republicano de servir à coisa pública.

No momento de Reforma Universitária, este é o grande desafio dos administradores eleitos. Também do seu quadro funcional-estudantil e de toda a sociedade. Até chegarmos ao sufrágio e acesso universal no ensino superior.

* Professor do curso de História da UFSM, diretor da SEDUFSM

(Artigo publicado no Diário de SM de 04.07.2005)

* SEDUFSM



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