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Mudança de hábito

Por:  Nilton Bertoldo*

A natureza das coisas é identificada na dialética dos opostos. Ela pode criar, destruir ou transformar em sua enigmática movimentação. Como no universo tudo é dinâmico, a vida também tem a sua parcela oposta ou fraca e nada existe que não esconda no seu íntimo a lombriga do aniquilamento ou da mudança. Se as partículas que os constituem fossem imóveis, não aconteceriam transformações regenerativas. Destarte, teoricamente, tudo que vem à luz perece ou se transforma, numa engrenagem inteligente de mudança incessante, muitas vezes fora de nossas modestas percepções ou respostas definitivas. Por que será? Poderá acusar algo insuportável, criando meio e fins para extinguir determinados procedimentos? Talvez, dependendo de quem esteja no poder.

As faces perversas do poder, dos governos, de certos dirigentes, de muitos políticos e seus partidos, do ódio, do medo, da covardia, do oficialismo, da bajulação, apesar de praticarem excessos absurdos, nem sempre escancaram seus dentes ferozes. Tentam justificar suas atitudes brutais e decisões, invocando o bem público, o funcionamento das instituições, a defesa da pátria, ou de outro valor qualquer, protegendo incompetentes, preconceituosos e outros que tais. Isto pode muito bem ser observado e analisado nas greves do funcionalismo público federal e principalmente nas universidades.

Mas não nos surpreende. Um governador de certo partido político, que uma vez apoiou uma greve de policiais militares, é um exemplo típico do que acabamos de falar: mudança de hábito. Ele disse ter sido ser surpreendido pela greve dos policiais (que ingenuidade), quando muito antes o aviso fora dado sobre a assembleia deles. E, na ocasião não ouvimos nenhuma manifestação em defesa do direito de greve, sempre muito defendido por esse partido e sua turma. Será que eles ainda sabem desse tal de “direitos humanos”? Onde anda essa Comissão, tão solicitada pelo metalúrgico Luís Inácio, no governo de Fernando II (o Henrique, não o Collor)?

Cito Lorde Byron: “o ódio é um prazer mais longo. Os homens amam depressa, mas detestam devagar”. A ira é uma das integrantes da natureza humana: violenta e destruidora. Resulta na dificuldade em identificar efeitos progressistas ou benéficos. Sua dialética pretende instaurar justiça, fomentando aversão aos trabalhadores (mormente em educação), luta entre classes e categorias sociais (o povo não pode ficar desassistido”, “temos que manter os serviços essenciais”, etc.).Pois esses mesmos que antes paralisaram o país várias vezes, agora querem “regulamentar” os movimentos paredistas no serviço público. É muito cinismo, desfaçatez e incompetência. Eles mudaram e precisamos enfrentá-los! Alô, Comissão de Direitos Humanos. Onde estás para nos defender?

(Publicado em A Razão de 07.09.2012)

* UFSM



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