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De qual escola precisamos

Por:  Suze Scalcon*

Após uma greve “interminável”, questiono: De qual escola precisamos? Precisamos de uma escola que, ao refletir as contradições da sociedade, espalhe o conhecimento mais rico e desenvolvido que a humanidade já produziu; que rompa com o cotidiano alienado dos alunos; que eleve a qualidade do trabalho educativo para além da preocupação com vida imediata; que opere com um trabalho voltado para a tarefa clássica de transmissão do conhecimento às novas gerações.

Precisamos de uma escola na qual as crianças se apropriem das formas de compreensão mais desenvolvidas, ricas, amplas e profundas; em que a ciência, a arte e a filosofia ecoem como sinos luminosos que, ao balanço de suas sintonias, elevem os indivíduos a condição de seres de domínio de seus próprios destinos; que não ensine a comemoração e nem o aplauso à lógica econômica; que eleve a formação humana à compreensões que superem estados patéticos de alienação e de egoísmo. A escola não está distante da realidade, não creiam! Está distante da riqueza do que poderia ser a vida das pessoas, mediante a riqueza do que a humanidade acumulou e, muito próxima da vida alienada do cotidiano e do que de pior o capitalismo tem produzido.

Precisamos de uma escola que produza mudanças na vida dos indivíduos; que desenvolva noções mais elevadas, que crie novas necessidades e, mais importantes do que aquelas geradas pelo mercado consumidor; que incite a apropriação de formas de linguagens desconhecidas. O trato com a linguagem rudimentar não promove o domínio da língua materna, mas dirige e aprisiona os futuros às senzalas repletas de troncos, cujas raízes fincadas em glebas privadas, fazem nascer dias tristes, torpes, pobres e, pior, eternos presentes. O caráter destrutivo e amoral do capitalismo levado a efeito pelo estímulo ao carecimento egoísta de bens tem sido instigado pela escola quando esta se posiciona em favor dos direitos egoístas dos homens privados e à comercialização da humanidade.

Pela ausência desta escola é que encontramos professores universitários que, ao ensinarem a seus alunos o convívio fraterno e tolerante com a pobreza da cultura, com a miséria da filosofia, com a negação da ciência e com a ignorância quanto ao valor da arte, exclamam: -“Que mal tem!?” Estes são os que somente avigoram um estado de plena subserviência aos ditames de um único senhor: o capital.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 15.10.2012)

* UFSM



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