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Os desafios do segundo mandato de Obama (*)

Por:  Daniel Arruda Coronel*

Em 2008, o então senador do estado de Illinois, Barack Obama, movimentou vários setores da população americana ao concorrer ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América, uma vez que se via nele uma oportunidade concreta de romper com os oito anos de atraso da gestão republicana e sair da crise financeira que começava a apresentar seus efeitos nefastos.

Passados quase quatro anos do primeiro mandato, muitas das esperanças depositadas em Obama viraram frustrações e, embora, as medidas implantadas por seu governo não tenham gerado os efeitos esperados, haja vista o elevado desemprego americano e as pífias taxas de crescimento econômico dos EUA, a população americana deu uma nova oportunidade ao atual presidente, reelegendo-o em detrimento ao republicano Mitt Romney.

Para manter acesa a chama da esperança de que se pode ter sucesso na América, estando-se disposto a trabalhar muito, não importando quem é, a cor da pele ou de onde vem, como declarado em seu primeiro discurso pós-eleição, Obama terá que enfrentar grandes desafios nesse segundo mandato.

O maior deles é retirar os Estados Unidos da América da maior crise econômica desde a chamada Grande Depressão dos anos 1930. Atualmente, os EUA enfrentam taxas de desemprego médio perto de 8%, que estava em 5% antes da crise financeira de 2008, sendo que há uma expectativa de recuo do ritmo do crescimento da economia americana em 2012 de 2% para valor entre 1% e 1,5%, mesmo com juros próximos de zero. Neste caso, Obama deve incentivar a criação de vagas para absorver os milhões de americanos desempregados ou com subempregos, em um contexto marcado por persistentes dificuldades no mercado imobiliário americano, preocupações com a divisão política em Washington e pela recessão na zona do euro, que absorve cerca de 50% das exportações dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o desafio imediato do democrata é realizar um acordo fiscal que evite o chamado “abismo fiscal”, isto é, cortes dos gastos públicos e altas de impostos a partir de janeiro de 2013, após o fim do acordo fiscal que decretou o aumento do nível de endividamento americano em 2011. Espera-se, ainda, que esse acordo aborde a questão do déficit público, que em 2012 chegou US$ 1,1 trilhão. Nesse campo, o presidente terá de lidar com questões como programas sociais em expansão, redução dos gastos na área da defesa e a reformulação na estrutura de imposto de renda.

Embora, as questões econômicas sejam prioridade nos próximos anos, no segundo mandato, conforme prometido durante toda a campanha, Obama deverá fortalecer a rede de assistência social para a população, por meio da ampliação do seu programa de seguro saúde, conhecido como "Obamacare", que tornaria o acesso à assistência médica no país um pouco mais igualitário; realizar a melhoria do sistema educacional do país; e realizar a reforma de imigração, que tentaria legalizar a situação de imigrantes sem documentos já radicados nos EUA, desde que não estivessem relacionados a atividades ilegais e demonstrem interesse em estudar, trabalhar e contribuir para o país.

Mesmo sem falar nos desafios de política externa, percebe-se que os desafios são muitos, mas acredita-se que um Obama mais experiente seja capaz de realizar grande parte dos mesmos. Pelo menos, essa foi a mensagem das urnas.

* Artigo assinado em conjunto com Airton Lopes Amorim, doutorando em Economia Aplicada pela UFV

(Publicado em A Razão de 26.11.2012)

* UFSM



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