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O neoliberalismo petista

Por:  Luiz Carlos Nascimento da Rosa*

Na primavera de 1845, Karl Marx escreve as famosas “Teses Contra Feuerbach”. Na tese segunda e na décima primeira podemos ler que a prática é o critério de verdade e que a filosofia não deve apenas interpretar o mundo, e sim transformá-lo. Utilizamos estes referenciais para analisar as políticas públicas implementadas pelo governo petista.

Os dirigentes do PT, quando assumem o poder, dão adeus à Classe Trabalhadora. Selam um grande pacto com o capital nacional e passam a adotar políticas públicas neoliberais, defensoras e reprodutoras do sistema do capital.

Os petistas esquecem o Trabalho, a Classe Trabalhadora e a Sociedade do Trabalho. Viram profissionais da política. Neste ano de 2012, por exemplo, os servidores Públicos Federais fizeram uma das maiores greves de nossa História. Tanto em termos de adesão como de mobilização. Aderiram ao movimento paredista quase a totalidade das categorias, chegamos a 80.000 servidores em greve. E por incrível que pareça não fizemos greve por aumento de salário e sim por plano de carreira e condições de trabalho. Tudo isso como decorrência do descaso do Governo Federal com a qualificação do mundo do trabalho dos servidores.

O Governo nomeou uma economista para dar seu recado às categorias. Não são razões sociais que balizam o governo e sim razões econômicas. Negociação não ocorreu. Sem falar que o Governo está fomentando o aparecimento de Sindicatos “chapa branca”. Pelegos sindicalistas que são base de apoio as suas políticas neoliberais. Na verdade o PT no poder quer é extirpar do cenário político sindicatos que defendem o Trabalho, a Classe Trabalhadora e a Sociedade do Trabalho.

A bem da verdade, os petistas, no poder, estão salvando o mercado e por conseqüência o mantra capital. O discurso não é mais o trabalhador e o “trabalhador desempregado”, isto sim, o miserável, o muito pobre, o pobre e o pouco pobre. A bolsa que o governo disponibiliza jamais vai resolver problema de família nenhuma.

Para evitar a crise do capital nacional, os neoliberais petistas estão gerando uma nova turba de consumidores. O sociólogo (Roberto) Leher afirma que os neoliberais petistas geraram um novo campo semântico: a pobretologia.

As emanações sedutoras do capital cooptaram um partido que se elegeu como democrático e popular. De transformadores, seduzidos pelo poder, passaram a reprodutores e salva-vidas do mercado, do capital e do lucro.

(Publicado no Diário de Santa Maria em 10.12.2012)

* UFSM



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