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Simplesmente Oscar

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 05 de dezembro, o país se despediu do arquiteto Oscar Niemeyer, homem que viveu 104 anos com intensas experiências. Presenciou vários fatos marcantes da história nacional e mundial, tais como a Revolução Bolchevique, a Crise de 1929, a chegada de Vargas ao poder, o qual começa mudar o centro dinâmico da economia brasileira, a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, a queda do Muro de Berlim, a chegada do PT à presidência da República, a crise americana de 2008 e a chegada de uma mulher à presidência do Brasil. Oscar era daquelas pessoas que desejamos e queremos intensamente que vivam o maior tempo possível.

Niemeyer é conhecido mundialmente por obras como a Igreja da Pampulha, o projeto arquitetônico de Brasília, universidades na Argélia, o Sambódromo no Rio de Janeiro, o Centro Administrativo de Minas Gerais, dentre outras, contudo alguns aspectos de sua vida merecem ser destacados tais como a coerência política e a contribuição à educação e à cultura autóctone brasileira.

Oscar Niemeyer foi fiel até os últimos instantes de seus quase cento e cinco anos, leal aos seus ideais comunistas, e, independentemente de se concordar ou não com eles, isto merece no mínimo respeito e admiração, pois é muito comum observar-se jovens proclamando-se socialistas, lutando por um país melhor e encantados com as ideias de figuras como Marx, Lenin e Fidel. No entanto, com o passar dos tempos, exemplos não faltam de vários que mudam sua opinião, renegando seus "antigos ideais" e ficando alienados aos problemas estruturais e crônicos do país.

Outro ponto que merece ser repetidamente destacado da vida e obra de Niemeyer é sua contribuição à educação brasileira com a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPS), juntamente com os também saudosos Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, os quais contribuíram para que centenas de milhares de brasileiros tivessem uma educação e formação cultural dignas e ficassem afastados das drogas, dos vícios e do crime. Além disso, ele projetou o Sambódromo do Rio de Janeiro, o que pode ser considerado a maior homenagem à cultura e aos valores autóctones nacionais.

Em um país onde se observa a cada dia várias casos de incoerência política e despreocupação com um país melhor, exemplos como os de Niemeyer, que, além da genialidade que encantou a todos, manteve sua coerência política, com certeza farão falta e dificilmente serão esquecidos.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 22.12.2012)

* UFSM



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