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Eros, Psiquê e Santa Maria

Por:  Luiz Carlos Nascimento da Rosa*

Numa quinta-feira com manhã ensolarada, com um céu de brigadeiro fomos desenvolver uma atividade artística envolvendo Teatro, Dança e Música com nossos alunos na UFSM. Penso que as diferentes linguagens das artes podem se transformar em mediadores para que voltemos à vida com muito amor e carinho. Depois da atividade fui almoçar na casa de meus generosos amigos Priscila e Marcelo. Estamos precisando resurgir, literalmente, das cinzas que nem o Pássaro de Minerva.

Lá no almoço falamos de amor, solidariedade, de luta pela vida e de flores. Depois desse encontro afetivo e gastronômico tomei a decisão de ir para casa cuidar de mim, de minha linda cadelinha Mel e de minhas flores. E assim o fiz. Enquanto cuidava de minhas florzinhas veio-me a mente meus livrinhos de Mitologia e neles fui direto ao capítulo que fala de Eros e Psiquê. Eros Deus do Amor. Eros, afora todos os desígnios divinos, apaixona-se pela linda, mas mortal Psiquê. Pela inveja de Vênus, Psiquê estava fadada a sofrer em um estado perene de solidão ou casar com um monstro. A inveja de suas irmãs pelo prazer que ela estava tendo com marido desconhecido, Psiquê desobedece e provoca o trágico. Fere Eros.

Pensemos o que está escrito em meus livrinhos de mitologia. Eros fala para a Psiquê: duvidas de meu amor? Tens algum desejo que não lhe foi atendido? Tudo o que te peço é que me ames. Prefiro que me ames como igual a me adorares como um Deus. Eros, divino, e Psiquê, mortal, não abrem mão de seu ato de amar. Passam por provações, mas felizmente o amor vence e Eros e Psiquê ficam juntos. Segundo meus alfarrábios de Mitologia, Psiquê significa em grego, borboleta ou alma. Psiquê na mitologia grega representa nossa alma humana. Sofre e tem desgraça para desfrutar de algo primordial para nós que se chama felicidade. Do abençoado casamento de Eros e Psiquê nasceu uma filha chamada Prazer. O Barqueiro Aqueronte já levou nossos lindos, amados e felizes filhos para o mundo de Hades.

Thanatus, o Deus da morte, tomou conta de Santa Maria a partir do trágico dia 27 de janeiro. Afugentemos Thanatus de nossas vidas. Sabedores e conscientes da dor, vamos ressurgir das cinzas. Colocaremos oferendas no Oráculo de Eros. Que Eros com suas imensas asas brancas e cristalinas paire por Santa Maria. Que o amor brote como erva daninha em nossas vidas. Que o egoísmo capitalista não nos tornem insensíveis e desumanos. Viva Psiquê. Viva o desejo e o Prazer em nossas vidas. Viva o amor.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 01.03.2012)

* UFSM



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