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O dia que durou 21 anos

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 31 de março completaram-se quarenta e nove anos do Golpe Militar que derrubou o presidente João Goulart e instaurou, por vinte e um anos, o regime ditatorial no Brasil, o qual transgrediu leis, desrespeitou os direitos humanos e até hoje é uma mancha negra na história do país.

Os principais motivos que levaram os "golpistas" a derrubar o presidente constitucional João Goulart estava relacionado às supostas "ideias" comunistas que o presidente tinha, a convulsão social e as altas taxas de inflação.

O movimento de 1964 contou com o apoio dos governadores do RS, Minas Gerais, São Paulo e Guanabara, de setores conservadores da Igreja Católica, além dos Estados Unidos, que, através da operação ‘Brother Sam’, iriam dar todo o apoio necessário, caso houvesse uma resistência no país.

Passados quarenta e nove anos desta afronta à democracia, alguns pontos merecem ser destacados com base na historiografia brasileira, tais como: o governo Goulart jamais poderia ser rotulado como comunista, mas, sim, como um desenvolvimentista, ou seja, Goulart foi um dos poucos governantes que soube compreender o conceito de nação e encontrar medidas para diminuir as desigualdades sociais e econômicas, muitas destas ações sintetizadas nas Reformas de Base, as quais visavam dar um novo redimensionamento social para o país.

A suposta convulsão social que se tinha no país, na realidade, eram ações insufladas pelos setores mais retrógrados e conservadores da política nacional que não perdiam a oportunidade de tentar desestabilizar o governo para ter um pretexto para futuramente derrubá-lo. Em relação às altas taxas de inflação, eram frutos de políticas desenvolvimentistas mais desordenadas de governos anteriores. Após o golpe militar, com as ações tomadas no Governo Castelo Branco, observou-se quedas nas mesmas, contudo, em 1985, já no final do governo Figueiredo, as altas taxas de inflação persistiam.

Enfim, passado mais um 31 de março, não temos nada a comemorar, apenas lamentar que um presidente com ideias desenvolvimentistas e de inclusão e justiça social tenha sido derrubado por um regime torpe, arbitrário e nefasto que ceifou, por vinte e um anos, o sonho de um país mais justo, fraterno e soberano. Não obstante a isso, o país aprendeu uma lição, magistralmente sintetizada por Winston Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".

(Publicado no Diário de Santa Maria em 16.04.2013)

* UFSM



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