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Conjuntura Social e os Docentes do Ensino Superior

Por:  Suze Scalcon*

Sobre as marcas das conjunturas política e econômica quanto às quais não precisamos detalhar, embora lembrar que, a corrupção estrutural, o uso burocrático da máquina pública para fins eleitorais, o desperdício do dinheiro público, a preponderância de relações clientelistas e de prestação de favores no âmbito do governo e a transformação dos partidos em clubes privados locais de oligarquias conservadoras, se constituem como elementos determinantes da atual conjuntura social. Não somente nas grandes capitais, o descontentamento generalizado e a insatisfação latente do povo brasileiro – dado o agravamento dos problemas sociais e das condições de vida degradantes de milhões de brasileiros, no mais das vezes, associados à precariedade dos serviços públicos de assistência à saúde, educação, transporte, moradia, segurança e seguridade social, o desemprego, a inflação, a violência urbana e no campo, entre outros – são representativos de um sistema político degenerado.

Também os inadequados sistemas viários atravancadores da mobilidade urbana, o aumento da densidade demográfica, a debilidade das redes de saneamento básico e de eletricidade, o crescimento da desigualdade e da exclusão social, a exacerbação da exploração da classe dos trabalhadores, a privatização de empresas estatais – orientadas pelos interesses de grandes corporações empreiteiras, banqueiros, cartéis de transporte, montadoras de automóveis – entornam, circunscrevem e caracterizam a crise de representação política sentida e vivida pela imensa maioria dos brasileiros. Entretanto, é o descrédito nas instituições públicas, expresso pelo conjunto de manifestações de diversos movimentos sociais e de aglutinação de insatisfeitos de toda ordem, que demarcam o mês de junho em nosso país.

Trata-se da insurreição a problemas e questões cujas causas principais advêm tão somente da lógica de organização social vigente a qual, garante jurídica e politicamente o direito à propriedade privada à somente alguns. É neste fervilhar que Santa Maria, entre os dias 18 e 21 de julho, sediará 58° Conselho do ANDES-SN (CONAD) cujo tema central é “Sindicato de luta, ampliando a organização da categoria e a unidade classista dos trabalhadores”.

À ocasião os participantes atualizarão o Plano de Lutas de 2013 da categoria na direção do fortalecimento do movimento docente mediante a defesa das instituições públicas de educação. Somando-se as demais lutas sociais, o Sindicato Nacional, de modo intensivo vem empreendendo ações contra a perda de direitos trabalhistas e o desmonte da estrutura da carreira dos docentes do Ensino Superior e, em favor de condições de trabalho adequadas e de salários dignos. No âmbito da defesa das instituições públicas, certamente o 58° Conselho irá contribuir para a consolidação de valores verdadeiramente públicos; para o que, é necessário clamar pela ética da política e construção de instituições verdadeiramente democráticas, uma vez que não são os valores morais individuais que qualificam as relações sociais entre os homens, as mulheres e as crianças de um país.

(Publicado em A Razão de 22.07.2013)

* UFSM



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