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A UFSM e os mercadores da saúde

Por:  Rondon de Castro*

A essa altura dos acontecimentos não há espaço para dúvidas ou enganos: a privatização do Hospital Universitário (Husm) através da implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é prejudicial à sociedade, à universidade e à dignidade humana. É justamente por isso que o governo insiste nas ameaças, e está sendo coerente com a ação que o vem caracterizando e que provocou as manifestações populares que encheram as ruas desde julho.

Uma empresa na administração do Husm significa tirar da própria universidade a gestão didática do hospital-escola.

É quebrar a autonomia da universidade no tratamento de suas necessidades. É implantar no público o comércio e estabelecer o lucro como norma. Para os favoráveis a essa aberração, somente os ganhos individuais (e o governo tem sido generoso na oferta de ganhos a alguns poucos) justificam a entrega do patrimônio público. Pior ainda quando o monopólio da exploração dos planos médicos é apontada na publicidade como algo positivo. Sabemos que não é, ainda mais que inevitavelmente, a privatização significa a captação de recursos no mercado. Eufemismo para a participação de planos de saúde aonde havia atendimento público e gratuito.

Se a Ebserh cerca o Husm há tempos e não se instala definitivamente não é por falta de negociação, mas por falta de argumentos que respondam e contradigam os prejuízos que causará. A empresa, em todas as hipóteses, deixará o HUSM irreconhecível, atendendo a demanda das empresas e do lucro. Não se trata de conjecturas, mas de lógica. De algum lugar virão os recursos e o governo quer se desincumbir dessa responsabilidade. O modelo utilizado (HCPA) tem duas portas: aquelas que são pagas e aquela que atende ao SUS. Não é preciso ser mágico para saber que há uma distinção, nesse país onde somente os pobres são julgados e condenados.

Os ricos tudo têm. A eles, a lei privilegia e defende. O próximo reitor da UFSM tem o dever de combater essa privatização. Ele sabe, como ninguém, por ter sido diretor da SEDUFSM e acompanhado essa luta desde a assinatura da MP 520 (sem falarmos de ser do Centro de Saúde), que existe em todo país a luta contra a Ebserh, que muitas universidades têm resistido às ameaças neoliberais da presidenta e de sua camarilha. Privatização não é opção para o servidor público que deve defender o patrimônio público e a própria população. Negociar para privatizar é a ideia da atual administração. Foi para se diferenciar que houve mudança. Esperamos que isso se cumpra.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 30.08.2013)

* UFSM



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