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A inflação e a economia brasileira

Por:  Daniel Arruda Coronel e Reisoli Bender Filho*

Em julho de 1994, foi lançado o Plano Real como mais uma tentativa de debelar a hiperinflação, a qual já estava em torno de 4% ao dia. O plano pode ser considerado como um dos mais consistentes da história republicana brasileira, visto que atacou o problema em sua gênese – o descontrole das contas públicas e a inércia inflacionária –, o que o diferenciou dos planos anteriores. Sua implementação ocorreu em três fases; a primeira delas consistiu em um ambicioso ajuste fiscal; a segunda buscou eliminar o componente inercial da inflação, com a criação da Unidade Real de Valor (URV), e; a terceira, efetivamente estabeleceu as regras de emissão e lastreamento da nova moeda, o Real.

Para o sucesso do plano foram fundamentais a credibilidade dos agentes econômicos, a ausência de choques heterodoxos (congelamento de preços e salários e retenção de ativos), o aumento das taxas de juros e a sobrevalorização cambial. Não obstante a isso, em prol da estabilidade macroeconômica e financeira, a economia brasileira ficou presa a algumas amarras que impediram e impedem o crescimento econômico.

Dentre elas, podem-se citar as altas taxas de juros, a valorização do câmbio, as baixas taxas de investimento e o endividamento interno. Embora tais fatores sejam importantes para a estabilidade macroeconômica de qualquer nação, eles ficaram relegados a segundo plano, dado que a inflação manteve-se relativamente baixa em grande parte do período posterior a implementação do Plano Real. Contudo, em diferentes momentos a inflação mostrou tendência ascendente, porém, indícios mais fortes de que a situação econômica está se deteriorando vem ocorrendo a partir de 2012, com a inflação em iminente ascensão, superando inclusive a meta.

As causas das crescentes taxas de inflação, indubitavelmente, estão relacionadas ao aumento desordenado dos gastos públicos, à conjuntura econômica internacional desfavorável e à perda da credibilidade dos agentes com medidas de cunho populista eleitoreiro. Destarte, cabe urgentemente ao governo uma forte política monetária e fiscal visando à maior responsabilidade macroeconômica, o que passa pela reestruturação fiscal, por uma reforma tributária, fiscal e previdenciária e também por aumento das taxas de juros, o que infelizmente penaliza mais uma vez o setor produtivo.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 12.09.2013)

* UFSM



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