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Florestas de sangue II

Por:  Althen Teixeira Filho*

As florestas de sangue, violentadas há anos pelo agronegócio, agora também sofrem ataque violento de mineradoras (nacionais e internacionais), empresas de energia (nacionais e internacionais), construtoras, bancos; o "mercado", enfim. Executam seus planos de guerra flanqueados pelo Legislativo, Executivo e ambígua ação - quando não omissão - do Judiciário.

Os projetos de "desenvolvimento nacional" incluem o estupro da verdade e são alardeados como se o que fosse bom para os empresários, também o fosse para o Brasil. Tudo é financiado com verbas públicas advindas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A "arte da guerra" do novo código de mineração (escrito pelos deputados-empregados-terceirizados-capachos) detalha os procedimentos de como nosso solo será eviscerado com máximo lucro. Jurando "gerar energia para o desenvolvimento", saqueiam nossa riqueza nacional e há muito dividem o butim despudoradamente e em plena luz do dia - aqui, como na África, a volúpia é por diamantes, ouro, nióbio e tantos outros. Não se importam, não consideram, não ponderam sobre a degradação ambiental e social que geram.

Em Belo Monte, o "progresso" prometido materializa-se em prostituição (inclusive de meninas índias), crescimento desordenado e desumano da população, problemas sociais, exploração humana, falta de atendimento médico, hospitais, moradias, respeito aos trabalhadores... A situação de abandono, promiscuidade e não fiscalização comprova que o governo, outro comprado eleitoralmente, fica de costas para o que acontece.

Para afastar o foco desta degradação surgem "pesquisas" que apresentam povos indígenas como "aculturados" no uso de carros, TV e eletrodomésticos ou, não raro, como vagabundos. A FUNAI os abandona e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República silencia, comprovando que para o governo "índio", assim como quilombolas, não são pessoas. São entraves!

Nas eleições de 2010, o Consórcio Construtor de Belo Monte repassou, a título de "financiamento de campanha", R$ 343 milhões a candidatos, soldo que não alcançou somente dois dos partidos atualmente presentes no Congresso Nacional. Não existe isenção ou imparcialidade e um batalhão de deputados atua em guerrilhas de Projetos de Emenda Constitucional, tomando de assalto e canibalizando a Constituição Federal, a mesma que deveriam respeitar e defender.

O triste é que temos florestas de sangue não só nos biomas brasileiros, mas em Borneo, Madagascar, Índia e outros.

Toda esta destruição é engendrada pelo "mercado" e dela participam grandes empresários, mercenários de bancos, mineradoras, construtoras, companhias de energia, agronegócio, políticos corruptos, bajuladores e por aí vai.

Resta perguntar até quando as populações aceitarão, submissas, a ação de pessoas que só têm de humano a forma, mas que regram seu comportamento como bestas apocalípticas.

(Publicado em A Razão de 22.10.2013)

* UFPel



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