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O ' jeitinho'

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

O ciclone que nos atingiu nos mantém atônitos. Deve ser esta a sensação, ou coisa muito parecida, o que sentem as pessoas quando o percebem. É a espiral se desenhando, em escuras cores, rapidamente se aproximando, numa velocidade assustadora. Será que atônitos é bem o termo ou melhor seria, medo. Não, não é, é sem ar, não conseguimos sequer respirar naturalmente. Talvez tenha chegado o momento de repensar certas posições e atitudes que são adotadas no nosso dia a dia, como se fossem normais, ou até mais que normais, ações que muitas vezes os protagonistas gostam de as exibir em rodas de chope, durante um chazinho e outro, ou mesmo no papo descontraído e até no próprio ambiente de trabalho, a velha “lei de Gérson”.

O fura-fila, ele tem pressa, os outros que estão postados a sua frente que esperem, eles podem e devem continuar aguardando, no seu entender. O troco recebido a mais no caixa de uma empresa, são umas poucas notas, seu valor é diminuto, para que devolver, são mais uns trocados para o bolso, azar do(a) “boboca”. Fazer dívidas, pagar, vale mais o popular “devo não nego, mas pago quando puder”. Passar na sinaleira, naquele instante que o vermelho já se instalou, é até emocionante, é feito sem preocupação com o que pode ocorrer, e quantas vidas estão em perigo naquele segundo de irresponsabilidade. Ouvi o presidente Lula dizer, há poucos dias, que as pessoas querem que se puna a corrupção, mas a dos outros, a delas não. Não gosto de generalizações, mas aí temos uma parte da estória.

Nos habituamos a ter padrões de julgamentos e a ser condescendentes com os erros das pessoas que nos estão próximas e que nos são caras mas, para as outras queremos que a Constituição seja cumprida e a justiça seja feita. É nesta “ética” que os nossos brasileirinhos crescem, ouvem como devem se comportar e agir mas, no dia a dia, descobrem que o “jeitinho” facilita a vida, os conchavos fora das normas dão vantagens e que os fins justificam os meios.

As denúncias de corrupções que ouvimos e lemos, diariamente, através da mídia e da imprensa têm de nos levar a estas reflexões, porque o desvio de impostos e tributos é dinheiro retirado da saúde, da educação e dos projetos sociais. Os políticos, que estão em seus postos colocados pelos nossos votos e não os indicamos como nossos representantes para ações ilegítimas, que afetam a ética e a moral, nos devem uma explicação.

* SEDUFSM



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