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A estupidez humana

Por:  Nilton Bertoldo*

A Psicologia sempre explorou os domínios da insanidade mental e as culminâncias do gênio. Porém, a estupidez humana, que assume mil formas na vida diária, reflete-se na arte, sutiliza-se na ciência, regouga na política e troa na guerra, sendo o mais poderoso dos fatores na história da humanidade; outrossim, a estupidez tem sido, muitas vezes, completamente descurada, principalmente quando se trata de eleger certas pessoas ditas “representantes do povo”. Esse fenômeno ocorre em grau mais acentuado em republiquetas de bananas, cujo povo, pouco ou nada esclarecido, por força das circunstâncias ou por franciscano pudor, mantém contato diário com a onipresente e contagiosa estupidez humana.

O Brasil, infelizmente, ainda possui 25 milhões de analfabetos e 45 milhões de analfabetos funcionais, faltando ainda de sobejo, à ilharga, muita educação para tornar-se um povo esclarecido.

O esclarecimento, poderoso como os músculos dos séculos, vibra a sua grande enxada e ri para a terra, com o vigor das idades na face, carregando às costas o leve fardo do mundo. Quem fez os êxtases e os contentamentos simples desta criatura muito poderosa para a tristeza ou para a esperança, sólida e chã, irmã mais velha do mundo? Quem desprendeu e deixou cair este maxilar brutal? De quem foi o sopro que produziu uma breve centelha no seu cérebro?

Esta é a coisa que a Natureza fez e deu para lutar com terras e mares não conquistados – para cavar, para rachar lenha, para combater pela humanidade, que acompanha as estrelas, que estuda os céus à busca de poder e alimenta ilusões de eternidade. Assim sonhou a Natureza quando deu forma aos Sóis e marcou o seu caminho pelas amplidões antigas. Em todos os planetas do Universo cheio de estrelas não há formas mais transbordantes de esperanças do que esta, - o mais eloquente estratagema da Natureza, que se move sem pensamento e sem plano invisível: nenhuma forma há mais prometedora de espíritos superiores, a cujo lado todos são símios.

“... Então, olhamos e vimos, não muito distante, a terra em que habitavam os Ciclopes. E vimos a fumaça a subir e ouvimos a fala de homens e o balir de carneiros e de cabras. Então veio o por do sol – e a escuridão. E ali dormimos. Mas, quando a madrugada chegava, reuni os meus homens e assim lhes falei: descansai aqui, caros camaradas, enquanto, com o meu navio e os meus homens, vou ver que homens são esses – se selvagens, cruéis e ignorantes do direito, ou amáveis com os estrangeiros e tementes aos deuses.”

Pois a raça humana chegou a um impasse do qual só pode escapar pelo estudo de seus defeitos e imperfeições (principalmente de certos políticos, caso as tenham). Os seres humanos são senhores da terra e do ar, do fogo e da água. Voam mais alto e mais rápido que os pássaros, mergulham nos abismos, perfuram as montanhas e reduzem as florestas a nada. Sobre a natureza exercem poderes mais vastos do que seus antepassados imaginavam nos deuses. Mas, são eles deuses? Nem tanto! Demônios, talvez. E da terra fizeram o pandemônio. Para cada bilhão em riqueza que os homens engenhosos acrescentaram ao que já se tinha, outros destruíram um bilhão, às vezes em riqueza, outras vezes em valor humano, por meio de guerras, trapaças, especulações, jogo, fraude, chicana, pragas, mentiras, ultrajes e – acima de tudo – estupidez mortal. Portanto, fiquemos de olhos bem abertos e atentos aos corruptos que infestam a nação brasileira!

(Publicado em A Razão de 07.02.2014)

* UFSM



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