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O Rei está nu

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

A eleição à presidência de um operário alimentou a expectativa de milhões de brasileiros que o país estaria realmente em uma nova fase. Ao contrário das expectativas, o governo Lula não apenas deu continuidade à política macroeconômica e ao conjunto da agenda neoliberal do governo anterior, como tem ido além: superávit primário, reforma da previdência, reforma universitária e reforma sindical.

A complementação da agenda neoliberal no país demanda a desestruturação das organizações de luta dos trabalhadores e dos demais movimentos sociais. Na crise brasileira, o escândalo da corrupção desnuda os instrumentos utilizados para garantir a influência e o controle sobre as economias subalternas e dependentes: o tráfico de influência, a troca de favores e as concessões. Poderíamos nos utilizar com muita propriedade de termos como “o Rei está nu”.

O Movimento Docente tem buscado responder a esse deprimente quadro com mobilização e luta. Neste sentido indicou às seções sindicais a deflagração de greve nacional dos docentes da IFES para a segunda quinzena de agosto de 2005, com o seguinte eixo: valorização do trabalho docente e em defesa da Universidade Pública, Gratuita, Autônoma, Democrática, Laica e de Qualidade Socialmente Referenciada, contra a mercantilização da educação e pelo aumento da dotação orçamentária para as IFES, expresso na pauta: a) Reajuste de 18% como parte da recomposição salarial; b) incorporação da GED e da GEAD, com equiparação pelos seus valores mais altos e da GAE, com paridade e isonomia; c) Retomada dos anuênios; d) Implementação imediata da classe especial e da classe de professor associado; e) Abertura imediata da discussão em torno da carreira única para os docentes das IFE, envolvendo o MEC, o ANDES-SN e o SINASEFE, com definição de calendário de trabalho com prazo para; f) Realização de concursos públicos para reposição de todas as vagas nas IFES.

Na construção da greve está havendo rodada de assembléias gerais até o dia 15 de agosto de 2005 para apreciação do indicativo de greve e propor data para sua deflagração. Em Santa Maria os docentes aprovaram esse indicativo. A reunião do setor das IFES no dia 19 de agosto, em Brasília, vai apreciar os resultados das assembléias e definir o início da greve, caso essa seja a vontade da maioria das universidades.

* SEDUFSM



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