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Transporte coletivo e prioridades neoliberais

Por:  Luiz Carlos Nascimento da Rosa*

Para o saudoso Carlos Nelson Coutinho e sua Teoria Política, a Democracia representativa “é uma mera regra do jogo, reduzindo-se à possibilidade de escolha entre diferentes elites através de eleições competitivas e periódicas.” Quais são as prioridades destas elites quando encasteladas em espaços de poder? A quem, de fato, beneficia as políticas públicas criadas por estes representantes? Para que canal escoa, de forma torrencial, o dinheiro dos cofres públicos?

No discurso dos políticos profissionais são aplicados em Saúde, Educação, Segurança Pública e tudo que diz respeito às necessidades dos cidadãos. Falácia e ledo engano. O Estado, através de suas políticas neoliberais, investe pesado a riqueza produzida pelos trabalhadores na manutenção, reprodução e acúmulo de capital através da “iniciativa privada”. É o chamado Estado Mínimo para os trabalhadores e Estado Máximo para os empresários. Para exemplificar, o “falido” Eike Batista recebeu, pelo BNDES, fortunas incomensuráveis dos cofres da União para “investir” na compra da Vale do Rio Doce e, posteriormente, milhões de reais para incrementar inovações tecnológicas. Onde foi nosso dinheiro e quem vai ressarcir nosso patrimônio com a bancarrota deste galanteador capitalista?

O governo federal coloca dinheiro público, aos borbotões, para fazer no Brasil a copa do mundo que vai produzir acúmulos de capital para uma das maiores empresas privadas do mundo chamada FIFA e para grandes empreiteiras. O Poder Executivo Municipal, articulado com a burguesia da província, faz malabarismos com as planilhas de gastos para favorecer e enriquecer os empresários que bancarão suas próximas eleições. Segundo o Professor Rondinel (informe SEDUFSM) o transporte público de Santa Maria, de 1995 a 2012, aumentou 600% enquanto a renda da população aumentou em 367%. Para os trabalhadores R$2,60 na tarifa do transporte coletivo é um assalto aos seus parcos ganhos, mas para o presidente da Cacism o protesto contra o aumento do ônibus é a “ação de marginais e vândalos, disfarçados e travestidos de estudantes”.

Para o Vereador Werner Rempel, os manifestantes de Santa Maria produzem um “equívoco grave”, pois as “pequenas empresas e os usuários são vítimas de um mesmo problema: a falta de subsídio federal para se manter o preço da tarifa estável”. O presidente da câmara de vereadores diz que não vai “ser tutelado” pelos movimentos sociais, quer dinheiro do povo para bancar empresário e chama polícia para tirar pacíficos militantes da casa legislativa (criminaliza o movimento). Este é o modus operandis da vida no sistema do capital.

O que os profissionais da política, de Santa Maria, fazem pela Vila “Beco do Beijo”, “Beco da Tela”, Vila Bilibiu, etc.? Pedem voto e depois convocam a repressão para neutralizar reivindicações. Estamos, sempre, em movimento para defender a Democracia Participativa e a igualdade de Direito e de condições econômicas para que todos tenham uma vida digna. O poeta Affonso Romano de Sant’Anna versou: “Mentiram-me. Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma, completamente. E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente”.

(Publicado em A Razão de 31.03.2014)

* UFSM



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