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Que se vallan todos?

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Quem optou pela mudança em 2002, votou contra as privatizações, a perda de direitos dos trabalhadores, os oito de anos de arrocho salarial e de ataques à soberania nacional patrocinados pelo PSDB-PFL.

Com Lula, a política externa de multilateralismo comercial esvaziou a ALCA contra os interesses dos EUA. Mas, internamente, se manteve a economia com taxas de juros favoráveis à especulação e com superávit primário que massacra a produção.

Sem ser confiável para os conservadores, as projeções eleitorais continuavam dando como certa a reeleição de Lula. O que as forças neoliberais não esperavam é que os motivos para colocar o governo em cheque viessem das “más companhias” de parte da base aliada e do PT.

Aproveitando os graves erros cometidos, a oposição contra-atacou com vistas às próximas eleições, com a estratégia de isolar Lula de seu partido e do apoio no Congresso, salvando a política econômica de Palocci e Meirelles e “sangrando” o presidente até o pleito de 2006.

Eis o momento de Lula rever a história de nosso País e o papel das classes dominantes, como no suicídio de Vargas, na renúncia de Jânio e na derrubada de Jango. Retomar o governo, a fim de recompor as bases do poder, para dar continuidade segura ao projeto associado e dependente é a tática final da oposição. Seu discurso anticorrupção é hipócrita, senão apoiariam investigações sobre a compra de votos para a reeleição de FHC e a relação de Marcos Valério com seus pares antes de 2003.

Por isto, quando Lula acena aos movimentos sociais, o discurso conservador lhe imputa populismo e chavismo. Demonstram que não querem mudança. Querem Lula submisso.

Entretanto, parece que o Presidente ainda não entendeu que, sem a punição severa dos corruptos e uma nova política econômica, é a sua governabilidade que está ameaçada, pois sem um projeto para a maioria dos trabalhadores, quem irá às ruas defender o governo diante de tentativas de tirá-lo do Executivo?

Só bravatas não bastam. Um projeto nacional de desenvolvimento contra a reação conservadora é acumulação das forças populares contra o neoliberalismo, pelo início de mudanças sócio-econômicas mais amplas. Fora disso, os brasileiros, como os argentinos de há poucos anos, irão para as calles pedindo que se vallan todos? Como na política não existe espaço vazio, sábios, não quererão que o País retroceda aos tempos do mandarinato tucano-liberal, mas podem chegar à conclusão que Lula queria apenas ser governo e não mudar o Brasil. Estamos numa encruzilhada.

* SEDUFSM



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