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A crise e as respostas do movimento docente

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

Na crise brasileira, o escândalo da corrupção desnuda os instrumentos utilizados para garantir a influência e o controle sobre as economias subalternas e dependentes: o tráfico de influência, a troca de favores e as concessões. Os efeitos das denúncias de corrupção envolvem governo, partidos e congressistas, e, iniciadas pela direita, imobilizaram o governo com o intuito de torná-lo refém da sua própria estratégia de alianças. O governo inclina-se mais e mais contra os interesses populares ao aprofundar a política de cooptação e colaboração de classes, integrando de vez a CUT ao governo, com a nomeação de Luis Marinho como Ministro do Trabalho.

Ciente da complexidade desse quadro e considerando ser importante responder a essa conjuntura, o 50° Conselho do ANDES (CONAD), realizado de 15 a 17 de julho em Fortaleza deliberou que: o ANDES-SN reafirme o seu projeto de universidade pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade socialmente referenciada, de modo a dialogar com os movimentos sociais, populares e entidades ligadas à educação no sentido de contraposição ao projeto do governo; o ANDES-SN elabore um projeto de lei que contenha os eixos, princípios, concepções e as propostas para a educação superior, já discutidas e deliberadas nas instâncias do Sindicato. E, ainda, que o ANDES-SN encaminhe a discussão do envio de um projeto de lei para o parlamento e à sociedade, a ser apreciado em um CONAD Extraordinário a ser realizado em Brasília nos dias 20 e 21 de agosto.

Também foi indicada a deflagração de greve nacional dos docentes da IFES para a segunda quinzena de agosto, com alguns eixos: valorização do trabalho docente e em defesa da Universidade Pública, Gratuita, Autônoma, Democrática, e de Qualidade, expresso na pauta com reajuste de 18%; incorporação da GED, GEAD e GAE, com paridade e isonomia; retomada dos anuênios; implementação imediata da classe especial e da classe de professor associado; abertura da discussão da carreira única para os docentes das IFE e realização de concursos públicos para reposição de todas as vagas nas IFES. Na UFSM, os docentes serão chamados em breve para avaliar e deliberar sobre o atual quadro.

(Diário de Santa Maria, 1 de agosto de 2005)

* SEDUFSM



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