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Riqueza e pobreza

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Recente estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que a crise econômica teve impactos diferentes para os ricos e pobres, com um impacto significativamente maior para os segundos. A distância entre ricos e pobres no mundo, além de ter aumentado, apresenta uma tendência a ampliar-se cada vez mais nas próximas décadas. Contudo, é preciso dizer que esse distanciamento entre ricos e pobres não é novidade, pois faz parte da essência do próprio capitalismo.

Karl Marx, em meados do século XIX, já afirmava que a acumulação da riqueza de alguns poucos é resultado da miséria de milhões que efetivamente constroem essa riqueza. Ao contrário daqueles que “naturalizam” a desigualdade, esta não é inerente ao ser humano. Não é porque "alguns na loteria da vida tiraram um bilhete em branco", como dizia Malthus, que as desigualdades persistem. A desigualdade não resulta de uma mera fatalidade ou porque alguns são mais "capazes" que os outros, mas sim porque no capitalismo, se alguns poucos ganham, é necessário que outros tantos percam. É impossível todos ganharem ao mesmo tempo, por isso a

sociedade capitalista está cindida em classes sociais.

Dito isso, o estudo da OCDE, ao mesmo tempo em que constata corretamente ao afirmar a tendência à ampliação da desigualdade, comete uma falha ao enfatizar as diferenças entre salários e não entre os ganhos de capital e os salários. Por isso, aponta como saída para diminuir a desigualdade uma solução dentro da chamada “Teoria do capital humano”, que vê na falta de qualificação dos trabalhadores a origem dos baixos salários e desemprego, ou seja, os próprios trabalhadores seriam os culpados pela situação em que se encontram.

O polêmico livro de Thomas Piketty, “Capital no século XXI”, ressalta que 1% da população mundial detém 50% da riqueza acumulada no mundo todo. No caso brasileiro, em 2004 foi publicada uma pesquisa coordenada pelo prof. Marcio Pochmann da Unicamp (Atlas da Exclusão Social – os ricos no Brasil), afirmava que no Brasil, cinco mil famílias eram proprietárias de 45% de toda a riqueza e da renda nacionais existentes. A desigualdade entre ricos e pobres tende a continuar, e o pior, com o aval dos economistas defensores da ordem vigente, certamente muito bem pagos para isso.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 17 de julho de 2014)

* UFSM



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