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Uma sociedade solidária é possível

Por:  Fritz Nunes*

As notícias dos últimos dias não têm sido nada alentadoras. Bombas caem, mais uma vez, sobre os territórios palestinos em Gaza, e Israel, a título de combater o terrorismo, mata centenas de pessoas, boa parte delas civis (crianças), e deixa centenas e centenas de feridos. É difícil entender a postura de ‘civilizados’ que, em suas disputas territoriais e materiais, não se importem em aniquilar outros seres humanos.

Contudo, se esse tipo de situação nos espanta e entristece, é possível trazer um contraponto. E essa visão diferente de mundo está bem próxima a nós, em Santa Maria.

No último final de semana, mais uma vez, milhares de pessoas estiveram na cidade para participar da Feira Internacional do Cooperativismo, que tem em seu cerne a opção por uma economia solidária, ou seja, um tipo de economia que não é a do livre mercado, que é aquela que se destaca em sugar o máximo de todas as pessoas, transformando-as em sujeitos e ao mesmo tempo em produtos de consumo.

É gratificante andar pelos espaços da feira e perceber que o trabalho coletivo existe e pode gerar frutos. E esses frutos são belos, saborosos, sem insumos venenosos e sem produtos resultantes de experiências genéticas que não sabemos que efeitos podem ter em nossos organismos. Como é bonito ver que a agricultura familiar dá certo em nosso país, que os trabalhadores sem-terra são, sim, extremamente produtivos.

Mas, não se pode falar em economia solidária, em cooperativismo de verdade em Santa Maria e no Rio Grande do Sul, sem falar em Irmã Lourdes Dill. Apesar de tantas justas homenagens que ela já recebeu, nunca é demais dizer que a colheita de hoje, com a feira e as milhares de pessoas que aportam em Santa Maria para esses eventos, é resultado da luta coletiva, mas, sobretudo, da abnegação dessa freira magnânima.

Conheci Irmã Lourdes em meados de 1993, quando ambos participamos, em Santa Maria, da Ação da Cidadania contra a fome, a miséria e pela vida, que podia ser resumida na chamada Campanha do Betinho (Herbert de Souza). A campanha contra a fome era uma utopia na época, mas o movimento alcançou um dos seus objetivos, que se refere a ter políticas de estado de combate à miséria.

Diante desses exemplos, que demonstram bastante atualidade na expressão “só a luta muda a vida”, deixo a reflexão para que não esmoreçamos. Quando tudo parecer difícil, lembremo-nos de Lourdes Dill.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 22 de julho de 2014)

* SEDUFSM



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