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O conflito que afeta o mundo

Por:  Jamila Khalil Zardeh*

O conflito entre israelenses e palestinos afeta o mundo todo. E, por isso, neste texto, escrevo um pouco da história, para os que desconhecem a origem do conflito e suas consequências. A Palestina sofreu várias dominações: império romano, turco-otomano, ingleses, mas vou tratar aqui da ocupação atual, a israelense. E, mais precisamente, da política expansionista da atual liderança de Israel e de seus governos anteriores.

O conflito é antigo. Resumindo, tudo começou no final do século XIX e início do século XX. Com o término da segunda guerra mundial e a Europa arruinada, quando milhares de judeus vindos de vários países como Rússia, Polônia, Ucrânia, Alemanha, migraram para a Palestina devido à perseguição nazista na Europa. Também migraram impulsionados pelo sionismo (movimento político que defende a existência de um estado judeu, com ideologia baseada na desapropriação de outras pessoas, deslocalização e na supremacia dos judeus sobre os povos palestinos nativos). Inicia-se, então, uma pressão sobre as grandes potências pela criação de um estado-nação para os judeus.

O plano de partilha da ONU para Palestina ocorreu em 1947, cujo objetivo era dividir a palestina em dois estados, um árabe e outro judeu. Em maio de 1948 foi criado o estado de Israel. Ocorreram inúmeras invasões de Israel à Palestina: em 1948, 1967, sendo que neste último ano citado, Israel invadiu a Síria, tomando as Colinas de Golã e a Península do Sinai, do Egito. Houve mais invasões no Líbano, em 1982, e na Palestina em 2000, 2006, 2009, até os dias atuais. Atualmente, 90% do território palestino está sob ocupação israelense.

Essas invasões tiraram a vida de milhares de civis palestinos (um genocídio) e outros milhares estão presos, sem direito à defesa; e outros mutilados. Quero registrar aqui, que Israel é o único “país” do mundo que não possui suas fronteiras delimitadas e também não tem constituição. Também, Israel escolheu a Palestina para ocupar por sua localização estratégica entre três continentes, Europa, Ásia e África, porque a Palestina é o berço das três religiões monoteístas mais importantes do mundo (islamismo, cristianismo e o judaísmo) e, porque é a terra de Jesus e dos profetas.

Aqui, no Brasil, vivemos em um país laico, soberano, democrático no qual podemos ir e vir, nos manifestarmos sem sofrermos represálias ou humilhações. E, nem nos depararmos com o “muro da vergonha” e muito menos precisarmos passar por uma catraca (vergonhosa), como acontece na Palestina, onde cada palestino, diariamente, é submetido a um “checkpoint” para sair ou entrar do país, impedindo seu livre acesso em sua própria casa (Palestina). É irracional privar os palestinos do seu direito de serem palestinos e, mais irracional ainda é privar os palestinos do seu direito de viver.

(Publicado em A Razão de 31.07.2014)

* Ifet, Júlio de Castilhos



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