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Vargas e o desenvolvimentismo

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 24 de agosto, completaram-se sessenta anos da morte do ex-presidente Getúlio Vargas e, mesmo passado tanto tempo, seu legado ainda suscita várias e acaloradas discussões, em que seus admiradores o rotulam como "pai dos pobres" e seus oponentes, como "mãe dos ricos". Não obstante a isso, várias de suas ideias e ações permanecem vivas no ideário do povo brasileiro.

Getúlio Vargas chegou ao poder através da Revolução de 1930 e, de imediato, teve que enfrentar a crise de excedente do setor cafeeiro, até então o principal produto de exportação da economia brasileira. A estratégia utilizada pelo governo foi comprar o excedente de café e depois destruí-lo. Essa intervenção tinha o objetivo de sustentar as cotações internacionais do produto. A partir dessa decisão, foi possível ao governo Vargas criar um imposto sobre as exportações de café, o que lhe permitiu fazer a transferência de recursos para o setor industrial através de investimento em infraestrutura e proteção às indústrias que se consolidavam no país. Com essa decisão, tem início o processo de substituição de importações, o qual irá vigorar até o final da década de 1980.

Além disso, merecem destaque, no campo econômico, as seguintes ações para fomentar o crescimento do setor industrial, como a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; do Instituto do Açúcar e do Álcool, do Código de Minas, do Código de Águas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda neste contexto, com Getúlio Vargas tem-se o delineamento de uma corrente política que irá marcar a história da política brasileira, ou seja, o nacional-desenvolvimentismo, entendido como defesa da industrialização; o intervencionismo pró-crescimento e o nacionalismo, cujos principais seguidores foram João Goulart e Leonel Brizola.

Embora várias de suas ações mereçam e devam ser severamente criticadas, é inegável sua atuação em prol de um Estado altamente intervencionista, desenvolvimentista e com ênfase no capital nacional, o qual suscitou várias críticas, tendo essas posições corroborado para o final melancólico de seu governo.

Como ele mesmo escreveu, no dia 24-08-1954: "E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

(Publicado em A Razão de 04.09.2014)

* UFSM



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