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Sedufsm: lembranças dos primeiros passos

Por:  Ricardo Rondinel*

No início, a tribo era pequena. Poucos acreditavam na empreitada. Tínhamos poucos recursos, iniciamos passando o chapéu nas assembleias para fazer os panfletos. O Reitor Tabajara Gaúcho da Costa nos acolheu com uma modesta salinha na Reitoria. Quando explodiu a greve de 1991, ninguém acreditava em greve na UFSM. A APUSM era uma entidade forte e queria as decisões em plebiscito. A maioria docente era de auxiliares e assistentes, com baixos salários e ainda mais corroídos por uma inflação de quase 90% ao mês. A mobilização do movimento docente foi importante. Na greve de 1991 a greve era renovada a cada semana. A Berenice Corsetti inventou a “greve por tempo determinado”. Então, não era “greve indefinida”.

Éramos a única Universidade, no Brasil, que fazia assembleia toda semana. No final, depois de mais de “cem dias” de paralisação, discursos, formação e luta, conseguimos dobrar o Governo Collor. Saiu um acordo salarial. Nunca esquecerei que no final da greve muitos companheiros de luta subiram ao palco do Anfiteatro Gulerpe para nos abraçar, beijar, apertar.

A greve de 1991 deu um impulso a novas filiações. Depois disso, ganhamos uma das ações judiciais mais importantes na história do Sindicato. A Justiça concedeu uma reposição salarial equivalente a 84,32% a todos os docentes do Magistério Superior que eram celetistas. Graças, de novo, ao Reitor Tabajara, houve uma extensão administrativa desse ganho judicial para os docentes da carreira do EBTT (segundo grau).

O Reitor entendeu que, como a SEDUFSM representava também os docentes do segundo grau, deveriam ser incluídos nesse ganho judicial. Foi um ganho significativo para muitos docentes, que na época saíram do cheque especial e pagaram suas dívidas. Muitos docentes que nem eram filiados foram beneficiados pelo trabalho do sindicato. As filiações cresceram e muito. Graças a um gesto de desprendimento do Celso Carmelo e do Dilermando de Barros, na época advogados da SEDUFSM, conseguimos comprar uma casa que tinha sido uma creche, na Rua André Marques. Parte dos honorários advocatícios que lhes correspondiam foi destinada à compra da sede própria.

E assim fomos crescendo, já com sede própria. Em 1996 conseguimos terminar de construir o atual auditório da SEDUFSM e para concluir a gestão de 1996, tivemos um Congresso Nacional do Sindicato em Santa Maria. A renovação sempre esteve presente na direção do sindicato: foram 13 diretorias nos últimos 25 anos.

Ao completarem-se vinte e cinco anos da assinatura do registro do nascimento do Sindicato, o reconhecimento público da SEDUFSM a todos os companheiros (as) que participaram das mobilizações, lutas, greves na luta por uma educação, pública e gratuita, como serviço público. Também, da luta por uma sociedade mais justa, onde exista a possiblidade de todos sermos felizes.

(Artigo publicado em A Razão de 12 de novembro de 2014)

* SEDUFSM



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