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O político fanático - I

Por:  Nilton Bertoldo*

No século passado, vieram milhões de pessoas para a América em busca de fortuna. Personalidades agressivas, de todas as nuances, chegaram ao nosso país e tornaram-se o tipo dominante, sendo o sucesso o seu Deus. Mas, o sucesso é conseguido pela concentração, pelo interesse indiviso, pelo apego à própria tarefa, pela reunião de todos os esforços para a consecução do fim em mira. Assim, o homem que é, por natureza, dotado de um sistema nervoso altamente integrado, leva, aqui, uma tremenda vantagem. Quanto mais oportunidades a nossa republiqueta oferece, tanto mais aproveitará um sujeito assim; quanto mais aproveita aquelas, tanto mais rico e poderoso se torna. Assim sendo, abastado e com poder, dominará ou influenciará mais periódicos, revistas, editoras, emissoras de rádio e televisão, políticos e trabalhadores, e, ao fazê-lo, modela costumes e tradições.

Nas republiquetas chinfrins da América Latina, sobressai-se a nossa Terra de Santa Cruz, onde se encontram inúmeros políticos fanáticos, mais poderosos do que em muitas outras nações reunidas. Portanto, deve-se esperar pouca imaginação simpática entre as classes dirigentes. Hoje, como no tempo de Cristo, deve-se procurá-la entre os humildes e meigos, entre os pobres e os oprimidos, sendo imperativo fazê-lo pela razão de Darwin – a seleção natural, pois o sucesso material interfere nas concepções e no sentimento do próximo.

Quando Cristo disse que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, evidentemente tinha em mente esta lei psicológica, pois as duas mais altas virtudes, na opinião de Cristo, eram o amor fraternal e a caridade, que surgem da imaginação simpática. Para entrar no Reino dos Céus, o homem deve fazer-se igual a uma criancinha, isto é, deve ser governado pelos seus sentimentos, e não pela paixão de realizar ou possuir. Esta filosofia da vida sempre foi compreendida por milhares de indivíduos, que, medidos por Dun e Bradstreet, ou por Nietzsche, são defeitos da natureza. Essa filosofia é sempre mal compreendida ou odiada por 9 entre 10 caçadores de sucesso, pois, entre esses dois grupos, jamais pode haver um entendimento fundamental. Dizendo isto, não se está elogiando o proletariado, nem expondo os ricos ao desprezo. Anota-se, apenas, um fato biológico que se pode verificar por si mesmo e no qual se pode encontrar o significado moral que se deseja.

Entre as muitas influências especiais, que fazem desta Terra de Vera Cruz um criadouro de alguns políticos mais fanáticos do mundo, há uma que tem sido desprezada. É o efeito emocional do contato íntimo com religiões, morais, métodos de comércio e gostos pessoais antagônicos. Em lugar algum, tantos costumes e padrões irreconciliáveis se reuniram em tão evidente justaposição.

(Artigo publicado em A Razão de 20 de novembro de 2014)

* UFSM



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