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Violência contra as mulheres: até quando?

Por:  Maria Celeste Landerdahl, Laura Ferreira Cortes, Melissa Stein Carrier*

Uma pesquisa de 2013 do DataSenado registrou que mais de 700 mil mulheres por ano sofrem agressões no Brasil. Em Santa Maria, conforme informações divulgadas pela Delegacia da Mulher, em 2014 foram registradas 2.508 ocorrências até o mês de agosto. A violência contra as mulheres é praticada em 80% dos casos por uma pessoa de confiança da mulher e mata mais mulheres que os acidentes de trânsito e o Câncer. Tendo em vista sua magnitude, é considerada um determinante social da saúde das mulheres, o que a coloca como um grave problema de saúde pública pela  Organização Mundial de Saúde (OMS).

Pesquisas mostram que os danos decorrentes da violência praticada contra mulheres repercutem em toda sua rede de contatos – filhos, amigos, relações de trabalho. Influi enormemente em sua saúde física que é afetada muitas vezes por lesões oculares, queimaduras, infertilidade, doenças sexualmente transmissíveis, culminando muitas vezes em morte. Os danos emocionais são irreversíveis a curto, médio e longo prazo. O medo e a baixa autoestima vividos pelas mulheres se manifestam por meio de ansiedade, depressão, dores de cabeça, abuso de álcool e outras drogas, tentativas de suicídio, entre outros.

Até quando vamos somente contemplar e silenciar frente a isso? Os dados estão aí! O que fazer com eles? O que podemos fazer para contribuir na superação desse tipo de violência que abrevia projetos e destrói famílias? Não existem soluções prontas que nos permitam superar essa realidade em pouco tempo. Acreditamos que essa seja uma questão de longo prazo. Além da inclusão de uma abordagem de gênero como tema transversal nas políticas sociais, é necessário facilitar deslocamentos e rupturas na cultura patriarcal que ainda concebe as mulheres como seres humanos inferiores. É preciso questionar categorias universais estruturadas no masculino, que mantém e reproduzem relações de poder entre os sujeitos.

É preciso desconstruir a visão essencialista que mantém as mulheres amarradas a lugares e destinos que as submetem a regras sociais injustas. É preciso, sobretudo, que as mulheres, como movimento social, se incomodem, se desacomodem e se mobilizem na desconstrução dessa cultura que está na raiz das violências praticadas contra elas.

Com a intenção de debater questões dessa natureza, o Fórum de Mulheres de Santa Maria - FMSM, instância de empoderamento e de intervenção em questões que dizem respeito às demandas de mulheres, promove, em parceria com a Seção Sindical de Docentes da UFSM – SEDUFSM, um debate no qual participarão pesquisadoras e ativistas sociais que transitam em temáticas alinhadas à violência e aos direitos das mulheres. O evento ocorre no dia 27 de novembro, a partir das 19 horas na sede da SEDUFSM, na rua André Marques.

Ambos, Fórum de Mulheres de Santa Maria e SEDUFSM desejam, com essa e outras iniciativas, somar esforços no sentido de sensibilizar para a necessidade de implementação de políticas que venham ao encontro das demandas de mulheres no nosso município. Dentre essas, é premente que a gestão municipal se empenhe em serviços como a implantação da Patrulha Maria da Penha, a criação do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, assim como a elaboração de uma nova Lei para o Conselho de Direitos das Mulheres de Santa Maria que permita a representatividade das mulheres, que seja democrático e operativo.

(Publicado em A Razão de 26 de novembro de 2014)

* Fórum de Mulheres de SM



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