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O político fanático II

Por:  Nilton Bertoldo*

     Os palermas chamam as Américas um cadinho, mas elas se parecem mais com o caldeirão de uma bruxa, em que todas as espécies de ingredientes estranhos, malignos e nauseantes, são cozidos. Em nossa pobre republiqueta, abundam e assomam incontáveis ralés reunidas num caldo. O celta neolítico da costa ocidental da Irlanda vive paredes-meias com Pappadoukilous, o corta-cabeças de Atenas. O montanhês da baixa Idade do Bronze da Espanha trabalha nas docas ao lado do aldeão russo do Volga superior. Os mentalmente superiores e emocionalmente bem equilibrados se fazem amigos, consideram os ádvenas pelo que valem e, pouco a pouco se fundem num novo tipo americano. Mas, infelizmente, há dezenas de milhares que não são de tão alta qualidade, mormente nos países da América Latina. No princípio, parece que tudo ia muito bem, porém, o nível da corrente imigratória desceu constantemente.

     Ao mesmo tempo, esses indivíduos inferiores se espalharam mais e mais pelo país – e daí saíram incontáveis políticos fanáticos – assim se colocando em contato com todas as espécies de valdevinos, criminosos, canalhas e emocionalmente instáveis das primeiras levas, alguns dos quais, mesmo, pré-revolucionários (v.g., invasores de propriedades públicas e privadas utilizando, algumas vezes, métodos violentos, com destruição do patrimônio material). Algumas regiões do Brasil receberam a vanguarda dessa horda, inundando-as e, talvez, arruinando-as para sempre, graças a esta aluvião ciclópica. Vastas áreas, de outrora gloriosas regiões, tornaram-se tão tristes, tão imundas e tão europeias como as cidades-cortiço da Bélgica, cloaca da incultura ocidental, na primeira metade do Século XX, verificando-se, agora, o choque dos temperamentos parvos.

     Credo contra credo. Uma intensa luta pela existência, produzida pela compreensão de que, numa nação poliglota, mestiça e abastardada, os hábitos mais firmes dos cidadãos são esmagados e desprezados pelos políticos fanáticos, sendo o ego ferido por esta descoberta. Esta tendência se tornou muito pior, principalmente em consequência da rudeza da competição, à medida que o nosso país se aproxima do seu ponto de saturação – se já não estiver – em população e em corrupção vergonhosa, deslavada e acintosa. Esta última, quando não combatida oficialmente, sente o esforço dos fanáticos como nunca, pois, quanto mais emocional se torna o grupo, tanto mais estúpidos e graves se tornam os seus atos.

      A parvoíce dos políticos fanáticos muitas vezes se revela na sua anormal e desarrazoável persistência no atacar problemas que estão completamente além de suas capacidades. A persistência traz o sucesso. Exaltados, a vida tem para eles um sabor mais forte. A Causa os sustenta e os transforma, aumenta o seu poder e lhes dá importância; afinal, são “alguém!

(Publicado em A Razão de 5 de dezembro de 2014)

* UFSM



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