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Independência?

Por:  Diorge Alceno Konrad*

O falecido sociólogo Octávio Ianni dizia que não há independência política sem independência econômica. Portugal, instrumentalizado pela pressão diplomática inglesa, cobrou nossa liberdade política após 1822, gerando nossa dívida externa. Sem dinheiro, recorremos aos bancos britânicos.

O lucro de Bradesco e Itaú, Banespa e Unibanco, no primeiro semestre de 2005, foi R$ 2,621 e 2,475 bilhões, 878,027 e 854 milhões, respectivamente. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal atingiram R$ 1,979 e 1,419 bilhões. Os bancos têm sido beneficiados pela alta na taxa de juros (19,75%), através da aquisição de títulos públicos, de empréstimos e das altas tarifas mensais.

A independência ou autonomia do Banco Central, proposta pelo FMI é uma forma de acabar com um instrumento de governo, se houver intenção política, para o desenvolvimento de um país. Abrir mão deste recurso é privar o Estado de promoção soberana, restringindo-nos ao domínio total do mercado financeiro. Mudanças precisam ser feitas no Banco Central, mas para protegê-lo das espúrias ligações com o capital financeiro privado, de onde sai o rumo da atual política econômica.

Por que será que, pelo 4º ano seguido, o Brasil cresceu menos do que a América Latina, enquanto a dívida pública alcançou R$ 971 bilhões, equivalente a 51,3% do PIB, subindo mais de R$ 100 bilhões só em 2005. Como ter recursos para educação, saúde, moradia, etc., desta forma? Diante desta catástrofe, mais uma vez a “economia vai bem” e o povo vai mal.

O governo propôs para os docentes e técnico-administrativos das universidades reajuste de 0,1%. A sociedade precisa saber que está aqui a origem fundamental da atual greve. Enquanto o superávit primário tem servido para sustentar banqueiros, é dito pelo Ministério da Educação que não há recursos para aumentos salariais, incorporação das gratificações, planos de carreiras, reposição das vagas existentes e maiores recursos para ensino, pesquisa e extensão.

Quem sabe o início da Independência do Brasil não estaria em: uma reforma política que amplie a participação popular; em mudanças na política de alianças do governo, privilegiando os movimentos organizados e não acordos fisiológicos no Parlamento; na alteração da política econômica e construção de um projeto para o País, a fim do retorno das atividades produtivas e geradoras de emprego e renda, rompendo com o ciclo desastroso do capital especulativo. O grito de 7 de setembro ainda é uma bandeira da maioria dos brasileiros.

* SEDUFSM



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