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O político liberal

Por:  Nilton Bertoldo*

O liberalismo é o último refúgio do espírito; para lá, correm todos os estultos em apuros. O patriotismo fica para os velhacos à procura de segurança, porquanto o arigó-da-vazante sabe – a despeito da sua toleima – que o liberalismo tem alicerces na rocha da verdade e é quase inexpugnável. Se um recenseador penetrasse nesse templo, suspeita-se que encontraria, ali, 5 filhos dos Ciclopes para cada homem inteligente. Que má sorte para os últimos!


O político alarve, encontrando-se em perigo de ser punido pelos seus erros, clama pelo direito de pensar – e age como lhe agrada. ”Sou honesto, não sei de nada, não fui eu! – ruge. Sou um crente sincero! Como cidadão tenho o direito a ser tratado como sagrado. Sou um fim em mim mesmo. Não tendes o direito de me suprimir.”

Inevitavelmente, num mundo em que muita gente é profundamente bajouja, isto se revelou altamente popular. Em verdade, essa é, talvez, a causa mais profunda da chamada rejeição aberta ou tácita, pelos cristãos, da doutrina do liberalismo de Cristo e da aceitação do oportunismo de São Paulo. Se há algo que Cristo insistisse mais do que sobre qualquer coisa, foi o pensamento de que “uma boa árvore não pode dar maus frutos, nem uma árvore corrompida produzir bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos é abatida e atirada ao fogo. De modo que, pelos seus frutos, as conhecereis”. Sempre e sempre, este tema volta nas suas observações, como na parábola do trigo e do joio: o último é arrancado e queimado, enquanto o bom cereal se salva. Atente-se novamente: “o reino do céu é como uma rede que foi lançada ao mar e trouxe peixes de todas as espécies; e que, quando cheia, os homens trouxeram para a praia e sentados, reuniram os peixes bons nos barcos e jogaram fora os maus”.  Tome-se tento; “Pois aquele que tem, a ele se dará, e terá mais abundância, mas aquele que não tem, dele se tirará até mesmo o que tem”.


Jesus, o grande pragmatista, compreendeu que tudo deve ser julgado pelos seus resultados. Nenhum girota tem qualquer direito moral a exigir o respeito, a proteção ou o auxílio das outras pessoas, apenas em virtude da sua sinceridade. Admita-se isso – e ele se tornará um fazedor de passes, matando gente, ou um cientista cristão, assassinando os seus próprios filhos por impedir a entrada do médico no quarto do enfermo; ou um lunático muçulmano, cortando a cabeça dos infiéis em nome de Alá.


O político liberal de quatro costados levanta objeções contra tudo, pois sustenta que a própria base da sua filosofia é a liberdade de palavra a de ação. A sua própria ação, quando consistente, é, em substância, inação, tanto quanto diz respeito ao controle de terceiros. Onde os outros executam, o liberal fala. Tenta manter a sociedade humana no nível linguístico. Nisso reside a sua imbecilidade!

(Publicado em A Razão de 11 de dezembro de 2014)

* UFSM



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