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Whitman e certos políticos - I

Por:  Nilton Bertoldo*

Walt Whitman foi um extraordinário embusteiro que ainda ocupa lugar único no templo da fama. Mais engenhoso que todo mundo, antes e depois do seu tempo, amealhou dinheiro sobre a exuberante toleima dos seus concidadãos. Um peralvilho preguiçoso, incompetente e completamente alarve, que usava fraque, chapéu alto e bengala, quando ia ao encontro dos diretores de jornal para vender os seus artigos ou mendigar um emprego, Whitman desenvolveu as suas fortes tendências introvertidas com o passar dos anos. Não sendo, de modo algum, um ser perdido nos seus devaneios e sonhos, mesmo assim manifestou, desde a primeira infância, algumas das mais perigosas incapacidades. Pouco a pouco, estas incapacidades tomaram conta dele.


Era, antes e acima de tudo, um vegetal – e, mais tarde, descobriu a maneira de aprofundar a sua irmandade com o nabo. Quando criança, era o desespero da casa: dormia de 10 a 14 horas por dia. Mais tarde, quando os irmãos e as irmãs casaram e tiveram os seus próprios lares, Whitman para lá se dirigia sempre que perdia o emprego e estava sem dinheiro – o que ocorria frequentemente. Sob o teto da caridade, dormia toda a manhã, enquanto todo mundo estava desperto, trabalhando.


O proprietário de The Daily aurora, que certa vez o aceitou como diretor, declarou que “Whitman era o homem mais preguiçoso que jamais dirigira um jornal”. Os redatores afirmavam que ele chegava mais ou menos ao meio-dia, conversava um pouco, ia almoçar durante uma hora, depois ia à Battery, se o tempo estivesse bom, olhar os navios (a propósito, quantos dias por semana funciona o Parlamento brasileiro?). Empregos e mais empregos eram perdidos assim. Afinal, decidiu-se a tentar a vida como carpinteiro, como o admitiam os seus melhores amigos. Pretendia, porém, ser um honesto trabalhador, embora não pudesse manejar bem a plaina!


Assim também, em todas as atividades integrativas principais, o que se poderia esperar de um homem que tinha nove irmãos, dos quais o caçula era um imbecil e o mais velho um lunático? Pode alguma coisa, nos escritos de Whitman, tomados em conjunto, ser mais óbvia do que a sua falta de fortuna e lógica? Em verdade, tomava atitudes, demonstrava sentimentos, mas isso é outra história. Acrescente-se a isso a sua assexualidade – e os alicerces da sua personalidade estavam lançados, prontos para que os anos erigissem a superestrutura final. O testemunho de muitos dos seus amigos era unânime quanto à sua natureza estranha. Assim, também a evidência indireta dos seus discípulos, especialmente do doutor R. M. Burke, que foi um dos seus principais biógrafos e que forneceu a mais exata reprodução da natureza de Whitman no livro In re Walt Whitman (Philadelphia, 1896). Burke se havia ligado ao poeta e, evidentemente, o observava com inteligência.

(Publicado em A Razão de 2 de janeiro de 2015)

 

* UFSM



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