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Morrer

Por:  Francisco Estigarribia de Freitas*

Morrer. Seria vontade intensa e densa de amar, daí a disponibilidade, igualmente de morrer? Para quem já sentiu o cheiro da morte no corpo e o seu gosto na boca, morrer é ter coragem de entender que somos mortais e, esse percurso se inicia ao nascermos e ao amadurecer, se quer morrer? “A vida é um erro e só a morte corrige esse erro ou então, uma vida temporária repleta de sofrimento, desprazer, dor e tédio repararia esse erro e, assim faria nós voltar de onde saímos do nada”? Aos “apaixonados pela vida que de tão apaixonados, acreditam que é preferível morrer de forma orgulhosa quando não dá mais para viver altivamente”?

Seja lá quantas mais forem as visões sobre a morte, o inegável é que a vida nos joga para os braços da morte quando bem quer. Contudo, odiar a vida jamais. É preciso aproveitar todos os momentos, viver com intrepidez, ousadia e criatividade para que nós possamos descartar a vida e não ser descartados pela VIDA.

Certamente, a morte continuará sendo objeto de explicações e interpretações, na medida em que outros mais morrem nesse instante e sempre estaremos buscando modelos para minimizar a nossa estranheza e nossa reduzida capacidade de imediata compreensão da morte.

Como não posso explicar e nem interpretar essa morte por que então abordá-la? Primeiro pela amizade a Suze Gomes Scalcon. Mas, não aquela interessada e/ou esquecida na convivência e, sim, aquela tecida em conceitos e “canto” sociopolítico, a possibilitar uma volta após o desabrochar da flor. Um segundo motivo de abordar essa morte é a possibilidade de questionar essa morte, pois assim, abre-se espaço para não reduzir essa, outras e a minha morte, ao aspecto negativo e, sim, encarar a morte como um problema. E, como um problema, torná-lo fonte de alimentação e, por que não, transformá-la em uma afirmação da Vida.

Assim, para nós que ainda não fomos jogados para a morte, fica o desafio de vermos na morte da Suze uma possibilidade de maneira dizível e visíveis a partir das múltiplas relações de forças afetantes e afetadas seu aspecto histórico, para além da “forma-Deus” e da “forma-Homem”. E então, a Vida da Suze não será esquecida com a conformidade, ainda que não mais presente o seu corpo orgânico, estará entre nós sua alegria, irreverência e sua luta contra algo determinado.

* UFSM



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