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'Por aqui está tudo tranquilo"

Por:  João Batista Dias de Paiva*

A frase “por aqui, tá tudo tranqüilo” foi dita por um acadêmico do terceiro semestre em A Razão (07.09.2005), a respeito da greve dos professores da UFSM, enquanto aguardava o horário da aula no hall de entrada do Centro de Tecnologia. Parece uma frase simples e natural partindo de um jovem de 20 anos. Mas não é, já que demonstra uma total alienação em relação ao momento que o país em geral está passando e, em particular, a Universidade onde ele estuda. Como pode estar tudo tranqüilo se a Universidade está em greve? Como pode estar tudo tranqüilo se os servidores técnico-administrativos estão parados e é crescente a adesão dos docentes. Como pode estar tudo tranqüilo se setores fundamentais para o funcionamento das atividades didáticas da instituição estão parados, como as bibliotecas, os laboratórios e o restaurante universitário? Não me parece que esteja tudo tranqüilo.

Outra informação constante da mesma reportagem é que os alunos do Centro de Educação estão tranqüilos com relação à greve, pelo menos os do 7º semestre do curso de Pedagogia, onde, segundo uma estudante, todas as aulas são ministradas por professores substitutos que “não podem paralisar as atividades". A tranqüilidade da estudante preocupa muito mais que a do anterior, porque representa a aceitação tácita de uma situação perversa dentro da universidade brasileira em geral e da UFSM, em particular.

Os professores substitutos, a maioria em início de carreira, estão sendo explorados com salário muito baixo e carga horária elevada muitas vezes distribuída em várias disciplinas. O que contribui para a diminuição da qualidade do ensino ministrado. Sem contar que são contratados por períodos determinados, não têm direito a férias e não podem permanecer na instituição por mais de dois anos. Na nossa instituição, no caso dos substitutos, nem a titulação importa. Trata-se, de fato, de uma exploração perversa de mão-de-obra qualificada. É necessário reverter esse quadro. Nós não queremos que os nossos cursos sejam ministrados por professores em situação de aviltamento salarial e de limitação de direitos. Queremos que sejam abertas as vagas necessárias para a sua inclusão no quadro efetivo da instituição. Esta é uma das reivindicações da greve dos professores.

A UFSM está em greve. Portanto, por aqui não está tudo tranqüilo. O momento não é de tranqüilidade. É de apreensão e de luta.

* UFSM



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