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O Islamismo na França: Liberté, Egalité, Fraternité

Por:  Jamila Khalil Zardeh*

Observando os últimos acontecimentos na França e depois de ler jornais, revistas e assistir algumas entrevistas, sobre o assunto “Charlie Hebdo” fiquei horrorizada com a forma que a imprensa nacional (com exceções) e, principalmente internacional (com exceções) refere-se a religião islâmica. O que vejo e escuto é simplesmente a desmoralização do Islamismo. Quero esclarecer que o Islã não financia armas...bombas...grupos terroristas...guerras e assassinos. O Islamismo é uma religião monoteísta “crê em Deus único, criador de todo o Universo” e Muhamad (Maomé, em português) é seu profeta. É uma religião de paz, amor e caridade. Ver e escutar determinadas pessoas associarem o Islã a atos terroristas é um grande equívoco, mostrando total desconhecimento da religião, que hoje é a que mais cresce no mundo.

Possivelmente alcançará 2,2 bilhões de seguidores até 2030. O lema que a França carrega da Revolução Francesa “Liberté, Egalité, Fraternité”, que significa Liberdade, Igualdade e Fraternidade parece contraditório, quando o governo (anterior) Sarkozy patrocinou a lei que veta o uso do véu muçulmano em instituições de ensino, locais públicos, na França. Liberté? Como se exibir os véus impedissem as muçulmanas de estudarem, ocuparem cargos públicos, fazerem amigos. Um país laico jamais poderia tomar postura antireligiosa como essa. Onde está o direito de liberdade religiosa?

Acompanhei pela TV a manifestação dos franceses, em solidariedade aos chargistas mortos e o repúdio aos ataques contra a sede da revista satírica “Charlie Hebdo” e vi na linha de frente alguns líderes que cometeram crimes contra a humanidade. Um deles, Benjamin Netanyahu, responsável pelo assassinato de mais de 2 mil palestinos, incluindo crianças, na última ofensiva militar na faixa de Gaza, em 2014. Marchando pela paz? Isso é deplorável! Ainda sobre o episódio francês, lápis e canetas são armas muito poderosas. A charge não é um desenho inocente, um simples cartoon, ela tem uma intenção. O grande problema é que para mim, religião é sentimento e sinceramente achei abusivo e de “mau” gosto os “desenhos” provocativos do chargista francês. No depoimento do Papa Francisco (que aliás, tem toda minha simpatia), sobre os chargistas, ele disse “No se puede provocar, no se puede insultar a otras creencias de la gente, uno no puede burlarse de la fé, seja por meio de desenhos, fotos ou textos”. Não existe terrorismo no islamismo, porque o Islã é uma religião de paz.

(Publicado em A Razão de 2 de fevereiro de 2015)

* Ifet, Júlio de Castilhos



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