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Em defesa da verdade

Por:  Adriano Severo Figueiró*

‘Um erro não se converte em verdade pelo fato de que todo mundo acredite nele’. A frase é de Mahatma Gandhi, mas serve para ilustrar o recente momento vivido pela UFSM e algumas de suas entidades representativas. A forma errônea com que tem sido tratado o caso referente à solicitação de informações sobre o convênio entre a universidade e a empresa de tecnologia militar Elbit, nos leva a refletir sobre o papel nefasto das redes sociais na propagação de inverdades, bem como da postura autoritária de alguns formadores de opinião nos meios de comunicação. As pessoas, entidades, movimentos sociais, são condenadas de forma categórica, valendo a versão em sobreposição ao fato.

Quem conhece a história da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm) e das demais entidades e movimentos sociais da cidade, sabe o quanto tem sido caro um amplo trabalho voltado à defesa das minorias, dos direitos humanos. Olhando o passado recente se percebe a atuação em favor da comunidade indígena, da comunidade negra, de solidariedade incansável, desde o primeiro momento, aos atingidos pela tragédia da  Kiss.

A Sedufsm também tem protagonizado, ao longo de seus 25 anos, importantes jornadas de debates abordando temas como a ditadura militar, o nazifascismo, sempre em oposição a qualquer ideia de totalitarismo. Portanto, torna-se estranho que, um pedido de informações sobre possíveis relações entre a UFSM e uma empresa privada de origem israelense, sendo esta uma contribuidora para a violência do Estado israelense contra o povo palestino, possa ser interpretado como um ato discriminatório.

É preciso lembrar que o sindicato tem tido papel fundamental na luta contra a privatização da universidade, seja pela tentativa de sucessivos governos, ou através do avanço de projetos privatistas desenvolvidos dentro da instituição, que muitas vezes só são percebidos depois que escândalos como o do caso Fatec/Detran vêm à tona.

Dessa forma, refutamos qualquer tentativa de nos associar com visões discriminatórias e autoritárias. Os 25 anos de história estão recheados de atos e fatos em favor da democracia e da justiça social, o que, aliás, foi o que nos levou a nos mobilizar em favor da causa palestina, em agosto do ano passado, quando a população da região de Gaza morria às centenas, bombardeada por mísseis do exército de Israel. Jamais partiu ou partirá dessas entidades, atitude de cunho racista a qualquer etnia, muito menos ao povo israelense, com seu histórico de sofrerem perseguição. (* O artigo foi assinado em parceria com o jornalista da assessoria de imprensa, Fritz Nunes)


(** Publicado no Diário de Santa Maria de 11 de junho de 2015)

* UFSM



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