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Questão de Gênero e Educação

Por:  Márcia Leindcker Paixão*

Os documentos que norteiam a educação contêm princípios, conceitos e linhas teóricas que orientam as práticas pedagógicas no intuito de dignificar o fazer pedagógico a partir da democracia. È importante lembrar que a escola, a família, a igreja e as pessoas convivem em sociedade e a vida pulsa com toda a sua intensidade em todos esses lugares. O cotidiano é plural, é heterogêneo, é diverso e essa diversidade aparece nas relações sociais em todas estas instituições que se ocupam com a educação.

Nesse sentido, o Plano Municipal de Educação é um documento que precisa refletir em seu texto escrito, a abertura política para que se pense a diversidade da vida a partir do campo educativo.  A educação tem o dever de potencializar espaços que possibilitem que a pessoa tenha acessos a informações, e que possa construir sua autonomia de pensamento a partir de exercícios saudáveis de análise de conjuntura política, econômica, social e relacional.

Retirar a análise da perspectiva de gênero em nome da família e da comunidade é reduzir, simplificar e excluir a dinamicidade da vida das pessoas. Diante disso, precisamos nos perguntar de qual família falamos? De qual comunidade falamos? Temos uma infinidade de comunidades em Santa Maria (mulheres, homens, indígenas, negros, negras, estudantes, pessoas trabalhadoras, jovens, crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas presas....e uma diversidade sexual e sexualidade presente nessas pessoas que vivem em comunidades). Impossível falarmos de uma única família e única comunidade sem levar em conta as singularidades de cada grupo que vive em sociedade. Não podemos invisibilizar essa diversidade real e existente em nome de posições que excluem a diversidade da vida.

A educação é espaço e lugar de debate de todos os assuntos que dizem respeito à vida das pessoas. A escola é um dos lugares que pode contribuir para uma aprendizagem saudável que prima pela igualdade dos sujeitos a partir das diferenças de cada pessoa/grupo. Precisamos aprender a lidar com a diferença sem que ela se transforme em desigualdade que oprime e explora. Nesse sentido, o Plano Municipal não pode retirar a dimensão de gênero de seu documento, pois isso seria negar o princípio da autonomia, da liberdade e do debate aberto e respeitoso presente em todas as situações que envolvem a vida das pessoas.


(Publicado no Diário de Santa Maria de 08.07.2015)

* UFSM



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