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Macroeconomia brasileira

Por:  Daniel Arruda Coronel e Reisoli Bender Filho*

A economia brasileira, em muitos momentos de sua história recente, teve de enfrentar desafios macroeconômicos. No início da década de 1960, o ponto de instabilidade relacionava-se às altas taxas de inflação; na década de 1980, depois de um período de efervescência econômica, o desequilíbrio fiscal associado ao endividamento externo pautou o cenário econômico. A adversidade deste contexto fez o país tornar-se um ser laboratório de vários planos econômicos inconsistentes macroeconomicamente, os quais culminaram no crônico processo inflacionário. Situação que foi debelada com a implantação do Plano Real, em 1994.

Todavia, sabe-se que o controle da inflação é somente o primeiro passo – e não o único – para a manutenção da estabilidade macroeconômica; objetivo este que foi a linha mestra dos oito anos de governo do presidente Fernando Henrique (1995-2002). Os anos seguintes (2003-2010), governados pelo presidente Lula, foram marcados pelo comércio internacional altamente favorável. Porém, em 2008, os países de uma forma generalizada tiveram que repensar suas políticas macroeconômicas como consequência da Crise do Subprime e, em 2010, em decorrência da crise da União Europeia.

Como forma de atenuar os efeitos destas crises, o governo brasileiro utilizou-se, diga-se de passagem, acertadamente de políticas de cunho keynesiano com o objetivo de estancar os efeitos de tais conjunturas. No entanto, deixou de lado diversas questões fundamentais, as quais são de extrema importância para os objetivos de crescimento econômico sustentado. Questões estão atreladas às denominadas reformas pró-competitividade, que englobam as reformas trabalhista e tributária, melhoria das condições de infraestrutura e logística, política cambial consistente, aumento da produtividade e redução das taxas de juros.


A ausência de tais reformas, somada a um pseudodesenvolvimentismo – ou keynesianismo vulgar – e aos elevados casos de corrupção corroboraram para a situação econômica desacreditada, a qual está cristalizada no baixo percentual de aprovação do atual governo. A reversão de quadro somente será possível mediante políticas de austeridade fiscal e monetárias, investimentos em infratestrura e em tecnologia, maior eficiência e eficácia na gestão pública, maior inserção internacional e, principalmente, na recuperação da credibilidade junto aos agentes econômicos.


(Publicado no Diário de Santa Maria de 17 de julho de 2015)

* UFSM



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