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Universidade: objeto de desejo do capital

Por:  Luiz Carlos Nascimento da Rosa*

Quando emerge no cenário nacional as chamadas crises econômicas, os sábios de plantão apontam como saída a redução de investimentos em políticas públicas (nas áreas essenciais de Educação, Saúde e Segurança Pública). A retórica neoliberal afirma que é o tamanho do Estado a grande geradora das turbulências econômicas vivenciadas pela sociedade. Os empresários, os ideólogos da vida capitalista e seus bajuladores não esclarecem que a diminuição da intervenção econômica do Estado deve ser imposta aos seres sociais que vivem do trabalho, mas defende que o Estado seja agente promotor do lucro. Estado mínimo para o mundo do trabalho e Estado máximo para os detentores do capital.

Neste contexto de derrocada dos espaços públicos que produzam políticas de acesso a bens culturais e a Educação, a Universidade Pública vem se transformando no objeto de desejo do sistema do capital. Na consolidação histórica dos movimentos sociais, de forma geral e, dos trabalhadores em Educação, de forma particular, estamos calejados de trabalhar, incessantemente, no sentido de mantermos a Universidade Pública como um patrimônio que produza e dê acesso ao conhecimento para todos os brasileiros. Os privilegiados pelo sistema econômico, a bem da verdade, não gostam que os “pobres” sejam possuidores de conhecimento e bens culturais, pois é sabido pelos ideólogos capitalistas que cultura e conhecimento são bases para deter poder.

A cultura colonialista nos parece que ainda está incrustada nos sábios defensores de uma sociedade elitista. Não se deram conta que não é mais necessário ser filho de família nobre ou Bacharel para conquistar uma representação política. Não basta mais ser douto para angariar cargo nos espaços públicos da política, isto sim, construir e consolidar uma liderança nas esferas de representação da sociedade civil. Para as elites conservadoras não é suficiente as Universidades estarem repletas de forças de trabalho terceirizadas, mas seu desejo supremo é privatizá-la de forma integral.

David Coimbra, jornalista de ZH, escreveu que se fosse eleito iria privatizar todas as Universidades Públicas para investir na Educação Básica. O “Sábio” e pragmático jornalista não informa que não passou pelos bancos dessas instituições e, muito menos esclarece que a produção científica e as inovações tecnológicas produzidas no Brasil, hegemonicamente, provem de nossas Universidades Públicas.


(Publicado no Diário de Santa Maria de 29.10.2015)

* UFSM



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